Islamabad - Dezenas de afegãos que fugiram do Talibã e buscam refúgio no Brasil estão sendo barrados pelo governo do Paquistão, sem conseguir viajar, mesmo tendo visto humanitário emitido pelo Itamaraty, passagem aérea e o teste PCR negativo de Covid-19 exigido para o embarque.
Como o Brasil não tem representação diplomática no Afeganistão, aqueles que querem solicitar o documento precisam passar por entrevista nas embaixadas de países vizinhos, incluindo a que fica na capital paquistanesa, Islamabad - que tem sido o principal ponto de solicitação do visto brasileiro.
Para chegar até lá, os afegãos são obrigados a enfrentar uma viagem perigosa, que envolve o risco de serem capturados por talibãs e a exigência de pagamento de propina - com altos valores em dólares - na fronteira, segundo vários relatos. Muitos deles não conseguiram o visto necessário para entrar no Paquistão e atravessaram a fronteira irregularmente, como é comum em crises humanitárias desse tipo.
PROTEÇÃO LEGAL
Só que o governo paquistanês exige um visto de saída das pessoas que vão viajar para outros países, e o documento só é concedido para quem entrou legalmente.
O refúgio é uma proteção legal para pessoas que migram devido a perseguição relacionada a raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política. Só é possível fazer essa solicitação, porém, estando já no Brasil, e, para a viagem, os afegãos precisam de visto.
O governo brasileiro aprovou o visto humanitário para afegãos no dia 3 de setembro.