Cultura

Sambódromo não terá Carnaval; folia poderá ocorrer nos bairros

Laylla Paes
| Tempo de leitura: 3 min

O Sambódromo de Bauru não receberá desfiles de Carnaval no ano que vem. A decisão foi tomada durante reunião realizada na última quarta-feira (10) entre secretários municipais e representantes das escolas de samba. Agora, estuda-se a possibilidade de os desfiles serem realizados nos bairros da cidade. O motivo oficial da possível realização dos desfiles fora da passarela do samba é a falta de segurança do local, que sofre com uma grande erosão desde 2019. Leia a nota da prefeitura ao final da matéria.

Outro problema relacionado ao Sambódromo é a falta de iluminação, já que os aparelhos foram retirados e realocados para atender demanda da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Segundo o presidente da Câmara de Bauru, Markinho Souza (PSDB), representantes dos blocos e escolas compreenderam a decisão e sensibilizaram-se com a situação.

Ainda segundo o vereador, além da erosão há outro impeditivo, relacionado ao escoamento de águas pluviais. "A galeria que existe na região não dá conta da água das chuvas e ela acaba invadindo o Sambódromo, o que causa uma série de problemas."

Neste sentido, a obra necessária para resolução da situação seria de grandes proporções, necessitando de alto investimento público. "Estão calculando que, por ser uma intervenção com galerias e tudo, pode chegar a R$ 3 milhões", diz.

Markinho ainda afirma que o projeto de recuperação está parado. Ele salienta que, por conta da pandemia, o ex-prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB) e a prefeita Suéllen Rosim (Patriota) focaram os recursos na batalha contra a Covid-19, que levou mais de 1.200 vidas no município.

ALTERNATIVAS

Entre as opções apresentadas para que o desfile ocorra em 2022, a melhor recepcionada pelas escolas, segundo Markinho, foi a de dispersar o evento entre os bairros que são berços das escolas. "Como são quatro escolas de samba e quatro dias de Carnaval, cada escola desfilaria no seu bairro com mais dois blocos em dias diferentes."

Nesta modalidade, também não haveria competição entre os participantes e seria necessária a adequação de carros alegóricos, para que os objetos não entrem em contato com a fiação elétrica das ruas. As alternativas ainda serão discutidas pela Liga das Escolas de Samba de Bauru com os representantes de blocos, escolas e a Secretaria de Cultura, a fim de proporcionar um evento de qualidade para todos os participantes e público. Atualmente, o Carnaval de Bauru conta com um investimento garantido de R$ 850 mil, sendo R$ 500 mil advindos de uma emenda parlamentar obtida pelo deputado Rodrigo Agostinho (PSB) e R$ 350 mil do orçamento público, fornecidos pela prefeita.

A realização do evento de forma dispersa poderia, ainda, ser benéfica para os artistas da cidade. Isto porque, segundo o presidente da Câmara, o custo do projeto seria inferior aos R$ 850 mil reservados para a ação, gerando um saldo positivo no caixa da Secretaria de Cultura.

"Neste desenho, provavelmente não se use o montante de R$ 850 mil. Sobrando recursos, tanto eu quanto o deputado [Rodrigo Agostinho] vamos pedir para a prefeita que nós possamos utilizar a verba para projetos com os artistas da cidade. Seria um novo edital para que mais artistas possam escrever seus projetos e possam ser contemplados para a difusão cultural da nossa cidade", diz.

POSIÇÃO DA PREFEITURA

Nota oficial da assessoria de imprensa destaca que "a realização do Carnaval segue sendo discutida entre a Secretaria de Cultura, escolas de samba e blocos, sempre levando em consideração que estamos em um momento de retomada após mais de um ano e meio de pandemia, e ainda acompanhando os indicadores epidemiológicos".

A nota ainda afirma que "o Sambódromo está interditado por problemas que ocorreram em anos anteriores. A recuperação do espaço terá um custo elevado e a Prefeitura de Bauru não dispõe de recursos neste momento para estas intervenções. A liberação do Sambódromo depende ainda do Ministério Público (MP), o que só será possível depois das obras. Desta forma, o uso do espaço não será possível no ano que vem. Em reunião com as escolas e blocos, algumas propostas foram debatidas, e uma das possibilidades é que o Carnaval aconteça de forma descentralizada, com desfiles em diferentes regiões do município nos quatro dias de festa. As tratativas ainda estão em andamento entre as escolas e blocos e a Secretaria de Cultura".

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