Sem contar com o tratamento terciário dos efluentes (resíduos produzidos pelos humanos e empresas), responsável por eliminar poluentes que não são removidos pelos métodos biológicos convencionais, como o nitrogênio amoniacal, os rios que recebem os dejetos das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) Candeia e Tibiriçá, em Bauru, apresentam alterações na qualidade das suas águas, como comprova um laudo emitido pelo (DAE) na semana passada. As causas das alterações podem ser externas, conforme o Departamento, que está em processo de ampliação e reforma das duas estações, responsáveis por tratar 5% do esgoto da cidade e inauguradas em 2011.
O tratamento do esgoto nas duas ETEs é totalmente biológico, ou seja, feito em um processo com supressão de oxigênio na primeira etapa, quando, segundo o DAE, é alcançada a eliminação de 60% da matéria orgânica presente; passando por um filtro biológico que é oxigenado e termina de degradar a matéria orgânica. A etapa seguinte retém partes sólidas e em seguida é feita a desinfecção do efluente com hipoclorito para depois ser despejado nos rios.
Na terceira etapa são utilizadas técnicas físico-químicas ou biológicas para a remoção de poluentes específicos. Em alguns casos, compostos por matéria orgânica, não biodegradáveis ou metais pesados, entre outros.
IRREGULAR
No caso do laudo do último dia 4, foram identificados parâmetros acima dos que são permitidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para as águas do Córrego Pau D' alho, que recebe o efluente da ETE Candeia. Pelo laudo, o córrego receberia "esgoto in natura proveniente do bairro Pousada da Esperança II".
Segundo Rafael Ferraz de Arruda, diretor do Serviço de Tratamento de Esgoto do DAE, o monitoramento da qualidade das águas dos rios é semanal nas duas estações, que despejam efluentes também no Córrego do Sossego. Toda vez que os parâmetros se mostram acima do que é permitido pela legislação, uma equipe específica do departamento vai até os rios para identificar se há despejo irregular. "Por isso fazemos a avaliação antes e depois do despejo, para que o órgão fiscalizador não venha e diga que estamos poluindo o rio. Se ocorre de forma clandestina, como uma empresa que faça este despejo irregular no rio. A gente não tem este controle", afirmou. Todo problema identificado é resolvido na semana seguinte, após as análises, segundo Rafael.
TRATAMENTO TERCIÁRIO
O diretor explicou que o tratamento terciário é responsável por remover dos efluentes o nitrogênio amoniacal, poluente tóxico encontrado em chorume de aterro sanitário. A amônia e seus derivados podem envenenar animais que consumam ou inalem o composto.
Porém, as duas estações têm licenças ambientais para funcionarem sem esta etapa do tratamento, porque a legislação na época em que as autorizações foram concedidas não exigia.
As duas ETEs estão em processo de reforma e ampliação, que devem incluir o tratamento terciário que irá melhorar os padrões de qualidade dos efluentes.
No caso da ETE Tibiriçá, o DAE aguarda licença da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), e na ETE Candeia, o DAE aguarda a fabricação e entrega de materiais para realizar a reforma do biofiltro da estação, material que já foi licitado, segundo a assessoria do DAE.
Ainda de acordo com a assessoria, o projeto da ETE Vargem Limpa contempla o tratamento terciário, como também estrutura para receber os serviços de "limpa fossa" e de chorumes.