Política

Bauru entra em emergência hídrica

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 3 min

Com o nível da Lagoa de Captação do Rio Batalha cada vez mais baixo, a Prefeitura de Bauru decidiu decretar situação de emergência hídrica no município. O anúncio foi feito no começo da tarde desta sexta-feira (12) pela prefeita Suéllen Rosim (Patriota) e pelo presidente do DAE, Marcos Saraiva. O decreto, publicado no Diário Oficial ainda ontem, tem vigência de 30 dias, mas pode ser prorrogado. A medida permite a contratação de empresas e compra de materiais sem licitação e também autoriza a autarquia a recorrer a poços privados.

Se o plano der certo, o DAE prevê, pelo menos, amenizar a crise de abastecimento que atinge 130 mil moradores para retomar o regime de rodízio de 24 por 24 horas (hoje, está em 24 horas com água e 72 horas sem o líquido). O fim do racionamento, contudo, só será possível quando chover o suficiente, adiantou Saraiva (leia mais abaixo).

O estado de emergência foi anunciado durante entrevista coletiva com autoridades e jornalistas. Estavam presentes o coordenador da Defesa Civil, Marcelo Ryal; e o vice-presidente da Câmara, vereador Guilherme Berriel Cardoso (MDB); além dos parlamentares Sérgio Brum (PDT), Marcelo Afonso (Patriota), Mané Losila (MDB), Antonio Carlos Domingues (Cidadania) e Júnior Rodrigues (PSD).

"O projeto número 1 do DAE é fazer tudo aquilo que for humanamente possível, dentro da legalidade, para o bauruense pelo menos ter água em casa", afirmou a prefeita.

PACOTE DE AÇÕES

A primeira ação, segundo o presidente da autarquia, é interligar dois poços privados à rede do DAE para aumentar a produção de água já neste final de semana. No final da tarde desta sexta, a ligação com o poço da USP já estava sendo finalizada e o outro poço - não foi divulgado o local - seria conectado logo na sequencia.

Saraiva também anunciou o aluguel de três caminhões-pipa para transportar a produção excedente de poços para escolas, hospitais e reservatórios das áreas mais críticas. A autarquia explica que, para isso, a água dos poços artesianos será transferida por hidrantes aos pipas e esses veículos despejarão nos reservatórios dos bairros mais afetados pela falta d'água.

Para ampliar essa ação, está prevista a contratação de mais sete caminhões nos próximos dias. E o DAE prevê contratar outros 15 caminhões-pipa de maior porte a fim de transportar água bruta de lagoas da região para a Estação de Tratamento de Água (ETA). "O pipa possui uma bomba que suga a água bruta do rio com conteúdo compatível com a da lagoa e despeja diretamente no ponto da captação a ser indicado", explica a autarquia.

MÉDIO PRAZO

A médio prazo, estão previstas perfurações de quatro poços profundos, com custo estimado de R$ 4 milhões cada, e, pelo menos outro, cinco menores em bairros mais críticos, como Jardim Solange e Parque dos Sabiás. A instalação dessas últimas unidades seria mais rápida, entrando em funcionamento em até 20 dias.

No entanto, mesmo com o decreto, o DAE deve encontrar um cenário de forte demanda por serviços de perfuração de poços e locação de caminhões-pipa, diante de problemas hídricos semelhantes ao redor do País. "Eu não penso na hipótese de não conseguir fechar contratos. Não podemos trabalhar com essa ideia hoje", conclui Saraiva.

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