Cultura

A 'maldição' do ar-condicionado

Laylla Paes
| Tempo de leitura: 5 min

Calor, falta de ventilação e constrangimento. É isto que o público e artistas da cidade de Bauru vêm experenciando ao frequentar o Teatro Municipal "Celina Lourdes Alves Neves" ao longo dos anos. O problema com o sistema de ar-condicionado do local é antigo, motivo de reclamações entre as pessoas que precisam enfrentar o calor - muito calor -, se quiserem assistir a algum evento no local e, mais ainda, vexame quando se trata de gente que vem de fora para atuar ou assistir aos espetáculos. Atualmente, o espaço encontra-se fechado para apresentações. Mas ele pode ser locado de forma independente por partes interessadas, desde que assumam a responsabilidade de climatizar o ambiente.

O aparelho está quebrado há tempos, desde o governo anterior. Desde o início da atual gestão municipal, em janeiro de 2021, a abertura de licitações para reformas é motivo de debates nas reuniões da Secretaria de Cultura. O problema coloca em risco a segurança e bem-estar de quem frequenta o prédio, já que altas temperaturas podem levar à desidratação do corpo.

Outro problema gerado pela falta de ventilação no prédio é a propensão à circulação do novo coronavírus que, em ambientes fechados, possui mais chances de se espalhar e contaminar os seres humanos. Este é o fator que mantém o Teatro Municipal fechado, de forma oficial, para realização de eventos com público. "Nós não estamos com o Teatro Municipal aberto para eventos, apenas para lives, que são com equipe reduzida, já que não há ventilação lá dentro. A gente precisa ter esta responsabilidade. É uma questão de saúde pública", diz Tatiana Sá, secretária de Cultura de Bauru.

LONGA HISTÓRIA...

Mas o problema do ar-condicionado do Teatro Municipal não é recente. É antigo. Dez anos atrás, um incidente marcou a Mostra de Teatro Paulo Neves, que era realizada no local. Como noticiado pelo JC à época, entre as apresentações artísticas, uma atriz desmaiou em função do calor intenso no local. Na época, o sistema de climatização chegou a ser reparado para a continuidade da mostra, mas não durou muito tempo. Cerca de 20 minutos depois, a refrigeração parou de funcionar novamente.

Esta não foi a primeira nem a última vez que o aparelho colocou artistas e a população em uma situação complicada. Reclamações sobre as altas temperaturas experienciadas dentro do prédio são constantes, já que o local é o único espaço público do município mais adequado para recepção de espetáculos teatrais e musicais.

MEDIDAS

Após anos de reparos e falhas nos aparelhos de climatização do Teatro Municipal, a Secretaria de Cultura prepara-se para a substituição completa do sistema por equipamentos mais modernos. "O prédio precisa de uma planta para colocar este novo ar-condicionado. Estamos desenvolvendo ela e colocando para licitar. Quando a planta estiver pronta, nós vamos conseguir quais definir quais serão os aparelhos, onde eles ficarão e a quantidade necessária", explica a secretária.

Segundo ela, a decisão de troca completa dos equipamentos foi reforçada após uma consultoria fornecida pelo vereador Guilherme Berriel (MDB), que é engenheiro mecânico especialista em refrigeração. "Nós agradecemos muito esta consultoria. Porém, o que nós necessitamos é um projeto do ar-condicionado, que deve ser licitado para que a gente consiga adquirir, em uma outra licitação, os aparelhos", diz Tatiana.

Segundo o vereador Berriel, o planejamento do sistema e os aparelhos já foram indicados à secretária. "Hoje, o aparelho do teatro utiliza um sistema de refrigeração que gela a água e a água gela o ar. Nos splits [nova tecnologia de ar-condicionado indicada por ele], a refrigeração gela diretamente o ar. É eficiência e preço bom. Nem vale a pena arrumar o que existe lá. Ao invés de gastar R$ 500 mil, você gasta cerca de R$ 200 mil."

Ainda de acordo com o vereador, o processo burocrático citado pela secretária para a troca do sistema de climatização torna a operação ainda mais cara para os cofres públicos. "São as amarras do poder público. O projeto já está aí, já estão selecionadas as máquinas. Já informei a secretária do que é preciso. [...] A minha parte eu procurei fazer. Já passei a relação das máquinas para ela [para a secretária]", diz Berriel. "Já dei o caminho mas, como vereador, posso apenas apontar e sugerir. Se ela quer gastar mais uns R$ 150 mil só com projeto e planta, é uma decisão dela."

ATÉ QUANDO?

Enquanto os processos licitatórios, citados pela secretária, seguem em processo de análise, o Teatro "Celina Lourdes Alves Neves", que possui mais de 20 anos de história, segue fechado para o público. Os poucos que se arriscam a locar o espaço para eventos independentes precisam lidar não só com o calor, mas também com os riscos oferecidos à saúde.

Questionada sobre a data da abertura das licitações, que tinham previsão para ocorrer ainda neste ano, a secretária informou que a documentação "está sendo produzida". "Estamos com a preocupação de atender tanto a classe artística quanto o público bauruense. É de interesse da Secretaria de Cultura e da Prefeitura que a gente consiga arrumar isto da forma mais rápida possível, mas temos todos os tramites que a administração pública exige."

RECENTE

Há duas semanas, o teatro recebeu um dos maiores pianistas do mundo, o bauruense Amilton Godoy (ex-Zimbo Trio), que fez uma live em comemoração aos seus 80 anos de vida e um novo disco. Um público com apenas 60 pessoas esteve presente. Foram locados 8 climatizadores de grande porte, quatro para o palco e quatro para a plateia.

Mesmo assim, o desconforto foi o segundo principal assunto daquela noite memorável. O principal assunto foi o show espetacular de Amilton Godoy, que demonstrou por que é um dos músicos instrumentistas mais requisitados do Brasil.

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