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Gaeco investiga pagamentos de ex-presidente da Cohab para Natalino

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), apreenderam o celular, HDs externos e documentos do ex-vereador Natalino Davi da Silva, o Natalino da Pousada, durante operação realizada na manhã desta terça-feira (16), em Bauru. O ex-parlamentar é suspeito, segundo o órgão, de ter recebido pagamentos ilícitos realizados pelo ex-presidente da Cohab de Bauru Edison Bastos Gasparini Júnior, na época em que cumpriu mandatos no Legislativo Municipal.

Os mandados de busca e apreensão, autorizados pela 4.ª Vara Criminal de Bauru, foram cumpridos em dois endereços de Natalino: em sua antiga casa no Pousada da Esperança, onde moram os filhos, e na atual residência, no Mary Dota. Segundo o MP, a Polícia Militar apoiou a ação e não houve qualquer tipo de resistência. Natalino não foi localizado em nenhum dos dois imóveis e nem por telefone para comentar os fatos. A reportagem deixou recado com familiares, mas ele não retornou até o fechamento desta edição.

Batizada de Daemon, a investigação ao ex-vereador originou-se a partir da Operação João de Barro, deflagrada em 2019 para investigar o desvio milionário na Cohab (leia mais nesta página). Segundo o Gaeco, há provas concretas de que Natalino transacionou valores com Gasparini por meio de cheques ou dinheiro vivo, em espécie. Os promotores querem saber os motivos dessa movimentação financeira.

Os eletrônicos apreendidos serão encaminhados ao Centro de Apoio à Execução (CAEx), na Capital Paulista, para serem periciados. De acordo com os promotores, o órgão conta com tecnologia avançada para vasculhar dispositivos e extrair dados, inclusive os que foram apagados. A partir das perícias, o Gaeco dará início às oitivas.

CEI DA COHAB

A atenção dos promotores também se concentra no fato de Natalino ter presidido a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Cohab, na Câmara Municipal, que apurou justamente as eventuais irregularidades na companhia. Os promotores afirmaram que as provas de transações financeiras entre ele e Gasparini não se referem a esse período, no entanto essa hipótese não está descartada.

Outro ponto considerado relevante na investigação é o fato de Gasparini ter sido padrinho de casamento de Natalino, situação confirmada pelos promotores.

Mais um indício da relação entre os dois é uma carta da ex-esposa de Natalino pedindo ajuda financeira a Gasparini para solucionar problemas pessoais.

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