São Paulo - O Ibovespa, índice de referência da Bolsa brasileira, fechou em alta de 0,59% nesta sexta-feira (19), a 103.035 pontos, interrompendo uma série de quatro quedas consecutivas. Nesta semana, porém, o índice recuou 3,03%. A queda acumulada no ano é de 13,42%. O dólar subiu 0,73%, a R$ 5,6100, refletindo a expectativa de investidores com a possibilidade de aumento dos juros nos Estados Unidos.
O mercado de ações foi puxado por Vale e siderúrgicas, na esteira do avanço do minério de ferro, e por empresas de telecomunicação, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) favorável ao setor. As ações da Telefônica Brasil e da TIM subiram nesta sexta, após ministros do STF formarem maioria pela redução do ICMS para serviços de telecomunicações em Santa Catarina, em decisão que poderá ser aplicada a todo o País.
Investidores seguiram acompanhando o desenrolar em torno da PEC dos Precatórios, mas a falta de notícias relevantes sobre o tema deu espaço para a leve recuperação dos negócios.
Após esboçar um alívio pela manhã, em razão da possibilidade de aprovação fatiada da PEC dos Precatórios, o dólar ganhou força ao longo da tarde e chegou a tocar na casa de R$ 5,61, em meio ao fortalecimento da moeda americana no exterior, na esteira de declarações duras de dirigentes do Federal Reserve. Já se cogita abertamente a aceleração do ritmo de redução da compra mensal de bônus (tapering) e, por tabela, o início de uma alta de juros nos EUA, o que diminui a atratividade de ativos emergentes.
Com mínima de R$ 5,5218 e máxima a R$ 5,6138 ( 0,79%), o dólar à vista encerrou o pregão cotado a R$ 5,6089, avanço de 0,70%, registrando o quinto pregão consecutivo de alta. Assim, o dólar fecha a semana com valorização de 2,79%, ameaçando zerar as perdas no mês, que passaram a ser de apenas 0,66%. O dólar futuro para dezembro fechou em alta de 0,92%, a R$ 5,61950, com giro de US$ 11,7 bilhões.
Em palestra nesta sexta-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse haver exagero na percepção sobre a situação fiscal doméstica e na recorrência do uso do termo "estagflação" no mundo, embora tenha reconhecido que o País mostra enorme dificuldade para reduzir gastos.