Regional

Búfalos: funcionários são presos e vão responder por associação criminosa

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Brotas - O caso de maus-tratos envolvendo búfalos em Brotas teve novo episódio neste fim de semana. Após receber várias denúncias por parte de ONGs, a Polícia Civil esteve na fazenda Água Sumida, no domingo (21), e prendeu em flagrante o administrador da fazenda, de 46 anos, e um policial aposentado, de 57 anos, que prestava serviço de segurança no local após constatar que os animais sob a responsabilidade da propriedade estavam, novamente, sem água e comida e que eles agiriam de forma a impedir a entrada de voluntários para cuidados com os animais debilitados.

Acusado de ordenar aos funcionários novos maus-tratos aos animais, o dono da fazenda, Luiz Augusto Pinheiro de Souza, de 61 anos, recebeu nova ordem de prisão em flagrante, mas não foi localizado até esta segunda (22). Ele e os dois funcionários responderão por crime de abuso a animais e associação criminosa. Na tarde desta segunda (22), em audiência de custódia, os dois funcionários foram liberados para responder em liberdade.

No novo documento anexado ao inquérito, o delegado Douglas Brandão do Amaral considera que o administrador da fazenda, ao notar a chegada da polícia no local, no último domingo (21), rapidamente acionou a água do poço para o bebedouro de aproximadamente 800 búfalos. "Imediatamente, os búfalos que escutaram o barulho da água passaram a ir a sua direção. Os pequenos tentando entrar em meio aos mais pesados para conseguirem saciar a sede, colocaram em risco a própria vida", citou o delegado.

Foi constatado ainda que, em outra área, mais 100 búfalos tinham água à disposição, porém nenhum tipo de pastagem, já apresentando sinais de fraqueza. O documento aponta que os voluntários que atuavam no socorro aos animais debilitados tiveram a entrada e permanência dificultadas, precisando se alojar em uma estrada vicinal. O uso de tratores para cuidado aos animais no hospital de campanha montado por lá foi negado, inclusive, a energia elétrica para manter refrigerados os medicamentos.

RELEMBRE O CASO

Conforme o JC noticiou, o fazendeiro já foi multado em R$ 2,1 milhões e chegou a ser preso, no início deste mês, por maus-tratos a mais de 700 animais no local, mas pagou fiança de R$ 10 mil e foi liberado. Na ocasião, os búfalos de origem asiática, a maioria fêmeas prenhas e bezerros, foram flagrados pela Polícia Ambiental abandonados à própria sorte, sem água ou qualquer tipo de comida, em uma área sem pasto na fazenda. Além disso, outros 22 animais estavam mortos em uma vala. A fiscalização ocorreu em 6 de novembro e o inquérito foi instaurado em 8 de novembro. Voluntários da ONG ARA e Arca da Fé, além de representantes de outras entidades, atuam com ajuda de doações desde então, após autorização da Justiça, que previa que o fazendeiro deveria ajudá-los no socorro aos animais.

Ocorre que, na quinta-feira (18), diante de outra decisão judicial, a entrada dos voluntários passou a ser dificultada por funcionários da fazenda, após a tutela provisória dos 1.056 búfalos ser devolvida para o fazendeiro. Em nova decisão, após os pedidos de prisões, a ONG ARA foi considerada fiel depositária de todos os animais da fazenda, inclusive de 72 equinos. O JC tentou contato com o proprietário, mas ele não atendeu as ligações.

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