A gente não precisa de estudos para saber que a pandemia aumentou o uso de celulares, tablets e computadores e, consequentemente, as rugas no pescoço, chamadas de "tech neck". Como o nome indica, essas linhas em forma de colar no pescoço surgem de tanto a gente voltar a cabeça para baixo e para frente para olhar para a tela do telefone ou do computador. Cada centímetro que sua cabeça pende para frente gera peso extra - que os músculos do pescoço precisam neutralizar, para manter o rosto erguido.
Essa exposição às telas por muitas horas tem uma série de consequências. "Podemos citar a má postura, flacidez da face e pescoço, diminuição da acuidade visual, insônia, perda de foco, de memória, ansiedade e manchas na pele", alerta a dermatologista Juliana Piquet, do Rio de Janeiro.
O pescoço tem uma pele fina por cima de uma poderosa camada muscular. "Com o passar do tempo, o próprio envelhecimento intrínseco e os fatores ambientais levam à diminuição da espessura e perda de elasticidade com consequente flacidez", diz a médica. "Além disso, a gravidade se soma à tensão do platisma, músculo que se insere na clavícula e se dirige superiormente na direção dos músculos do terço inferior da face. Com isso notamos a perda do contorno facial e formação de linhas horizontais e bandas verticais", complementa ela
Segurar a cabeça em um ângulo voltado para baixo por muitas horas por dia, combinado com a anatomia delicada, é uma receita para linhas.
Não se trata só do exagero do uso dos gadgets e da falta de uma mesa adequada de trabalho. Há também a total falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A gente acorda e já checa o celular. Só desliga o computador na hora de ir para a cama. Trabalhamos mais horas e fazemos menos pausas. É raro manter os olhos no horizonte em vez de olhar para uma tela.