A pesquisa "Retratos da leitura no Brasil" mostrou que apenas 52% dos brasileiros têm o hábito de ler livros, uma redução de 4% em relação a 2015. Mas também teve boa notícia. De acordo com o estudo, realizado pelo Instituto Pró-Livro e Itaú Cultural, com dados coletados de outubro de 2019 a janeiro de 2020, a única faixa etária em que houve crescimento no número de leitores foi a de crianças de 5 a 10 anos.
Para a professora, escritora e doutora em Educação Lilian Menegucci, este dado traz um pouco de esperança em relação ao desenvolvimento do público leitor no País. "O incentivo à leitura na infância é fundamental. O quanto antes começarmos a fazer esse estímulo, mais chance teremos de formar leitores e leitoras para um país que precisa ter população que leia, e faça isso por perceber que o livro traduz possibilidades de muitas aprendizagens", afirma a professora.
Ler, porém, vai muito além do que aprender novas coisas. Estudos apontam que os benefícios do contato com a leitura são importantes desde os primeiros meses de vida, segundo a psicóloga, biblioterapeuta e contadora de histórias Bianca Lopes. Nesse período inicial da vida, o hábito de contar histórias para a criança promove o desenvolvimento da linguagem e a criação de vínculos com as figuras parentais.
"Ao nutrir o imaginário da criança por meio dos livros, damos possibilidades de construir ferramentas para que ela seja resolutiva na vida. Tanto nas questões mais práticas, quanto no campo emocional. Facilita a elaboração psíquica, de conflitos próprios do desenvolvimento infantil." Ao longo do crescimento, a leitura continua importante para o avanço de inúmeros aspectos, mas também facilita o desenvolvimento da empatia, da criatividade e da capacidade resolutiva.