Pergunta fácil de responder, eu não escolho pela pele ou outro protótipo, modelo seja lá o que for, escolho pela pupila, é verdade, pela pupila!
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante, principalmente questionador.
A mim não interessa os bonzinhos, os legaizinhos e os não legaizinhos.
Fico com aqueles que fazem de mim loucos e santos.
O que eu quero deles?
Não quero respostas catalogadas ou midiáticas, televisivas e jornalísticas, nada disso, quero apenas o meu avesso, já está muito bom!
Quero que eles me tragam dúvidas, angústias, sensações e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo muito louco.
O motivo que eu quero os santos, para que não duvidem das diferenças, dos pontos de vista, das interpretações e peçam perdão pelas injustiças, pelas maldades, ignorância e por tudo isso que estamos vendo..
Escolho meus amigos pela cara exposta, pela alma lavada.
Não preciso de tapinhas nas costas, isso foi a vida inteira, não quero só o colo, quero a sua alegria.
Aprendi que amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Tenho pouquíssimos amigos, mas eles são assim metade bobeira, metade seriedade.
Não quero que venham com aquele sorriso preparado, aquele que já sabe "o que vai acontecer", não quero os choros piedosos, porque são falsos.
Quero amigos sérios, não chatos como está o Brasil e consequentemente o mundo, quero amigos que fazem da realidade, da verdade, não da mentira sua fonte de aprendizagem, mas que lutem pela fantasia, para que não desapareça.
Não quero amigos adultos, donos da verdade, questionadores estéreis, debatedores do nada, inócuos e censores.
Quero metade infância, jogando botão, bolinha de gude, bola de capotão na rua, bola na vidraça, primeira namorada, e que não esqueçam o valor do vento no rosto, de subir no pé de manga, da goiabeira verde.
E a outra metade velhice e que nunca tenham pressa, muita calma nessa hora dolorida... não sei se é a melhor idade!
Quero ter amigos para saberem quem eu sou.
Pois, afinal, vejo loucos e santos, sonhadores e realistas, bobos e sérios, crianças e velhos, que eu nunca me esqueça de que a sanidade, a vulgaridade, o costumeiro é uma ilusão estúpida, idiota, imbecil, limitada e estéril.
Em tempo - para o meu amigo Silvio Selva, que se recupere rápido, espero você na peça do Plínio Marcos "Abajur Lilas". Você é fundamental! Força amigo!