Crianças e adolescentes em tratamento de câncer no Hospital Estadual (HE) de Bauru poderão, a partir de agora, se hospedar com seus parentes no Centro de Convivência Familiar, que foi inaugurado neste sábado (27), em evento que contou com a presença de diversas lideranças da cidade. Baseada em conceitos de acolhimento e acessibilidade, a "casa", de 292 metros quadrados, possui dez dormitórios, banheiros, sala de convivência, copa, cozinha, depósito, área de serviço e jardim externo.
O investimento para as obras e aquisição do mobiliário foi de R$ 979 mil, valor custeado por doações feitas pelo Lions Club Internacional, Ministério Público do Trabalho (MPT) e Justiça do Trabalho e pela arrecadação do McDia Feliz de 2019. Esta última ação, aliás, é coordenada pela Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC), em parceria com o franqueado Emerson Hortolan.
Lançada em julho de 2019, a campanha para construção do Centro de Convivência Familiar teve o objetivo de angariar fundos para garantir um espaço a crianças e jovens em tratamento oncológico no hospital e seus acompanhantes. São pessoas oriundas de até 38 municípios da região de Bauru e que não têm condições financeiras para custear uma acomodação na cidade.
Critérios socioeconômicos, contudo, só serão aplicados quando houver poucas vagas disponíveis. Segundo a Famesp, organização gestora do HE, não há um período de permanência máxima dos hóspedes, sendo cada caso avaliado individualmente. Porém, mesmo que não estejam hospedados nos dormitórios, todos os pacientes e acompanhantes poderão usufruir da área de convivência do espaço, onde serão realizadas atividades lúdicas e distrativas para qualificar o tempo de espera para exames ou tratamentos.
DIFERENCIAL
"Mais do que uma obra, temos uma casa que vai apoiar de forma significativa crianças em tratamento oncológico. Algumas doenças precisam mais do que tratamento médico e hospitalar. É o caso do câncer, em que o ambiente, a estrutura emocional e o apoio da rede afetiva do paciente fazem toda a diferença", destaca o presidente da Famesp, Antonio Rugolo Junior.
Quem acompanha o tratamento de perto concorda. A pediatra oncológica Claudia Teresa de Oliveira, que atua no HE, destaca a importância de oferecer um espaço lúdico e acolhedor para crianças nessa situação. "Enquanto elas esperam para fazer uma transfusão de sangue ou uma quimioterapia, podem ficar num ambiente mais familiar, fora da estrutura hospitalar. Isso é essencial para o sucesso do tratamento", afirma.
Hoje, cerca de 200 crianças e jovens fazem tratamento oncológico no hospital, muitos vindos de outras cidades da região. "É muita emoção ver a realização desse sonho, que, há dois anos, estava em construção numa plaquinha. É um exemplo claro de como a solidariedade pode fazer grandes coisas", observa a médica Deborah Maciel Cavalcanti Rosa, diretora executiva do HE.