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Ômicron poderá infectar mais e matar menos, dizem especialistas

Estadão Conteúdo
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São Paulo - A grande quantidade de mutações da Ômicron é fato inusitado que precisa ser investigado no Brasil, dizem cientistas . Descoberta na África do Sul, a nova variante do coronavírus apresenta 50 mutações. Cerca de 30 estão localizadas na chamada proteína spike, aquela que permite a entrada do vírus nas células humanas e é um dos principais alvos das vacinas contra a Covid-19.

Uma primeira hipótese para a ocorrência de tantas mutações (três vezes mais do que o verificado na variante Delta) é a de que ela tenha se desenvolvido em um paciente imunodeprimido que abrigou a variante Alpha por muito tempo na África do Sul. Os testes detectam a Ômicron por ela não ter um gene específico - o mesmo da Alpha, segundo especialistas internacionais. "Nunca tínhamos visto uma variante com tantas mutações", diz o professor Amilcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para o epidemiologia Cesar Victora, professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), os relatos dos médicos da África do Sul podem ser um sinal de que o coronavírus está evoluindo como muitos outros vírus que são muito agressivos no início, mas se tornam atenuados com o tempo. "Pode ser que isso esteja acontecendo, o que seria uma boa notícia, mas ainda é cedo para saber", afirma.

GRAVIDADE

Tanuri diz ser adepto da hipótese de que os vírus emergentes tendem a se atenuar, a  cada mutação, a tendência é a de que fiquem mais transmissíveis e menos letais.

Os primeiros relatos dos médicos da África do Sul indicam que o vírus se espalha rapidamente, mas sem grande número de casos graves. "Essa observação na África do Sul ainda é empírica, mas corrobora a hipótese de atenuação do vírus e aumento da transmissibilidade", afirma o coordenador da UFRJ.

FUTURO

Já Victora  considera que o País precisa ampliar seu sistema de monitoramento de variantes. "Temos de aumentar a capacidade. Ainda sequenciamos pouco. A variante pode já estar aqui e ainda não ter sido descoberta", afirma o coordenador do comitê científico do Instituto Todos Pela Saúde.

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