O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência é comemorado em 3 de dezembro, tendo sido instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em outubro de 1992 para celebrar o fim do ciclo iniciado em 1983, ano em que foi adotado pela Assembleia Geral da ONU o Programa Mundial de Ação a respeito das Pessoas com Deficiência. Os objetivos dessa iniciativa são incríveis, mas para poucas pessoas, se resumem na celebração das conquistas das pessoas com deficiência; no idealizar de novas formas para intensificar os processos de inclusão e acessibilidade dessa parcela da população na sociedade; no empoderamento das pessoas com deficiência de maneira que elas possam influenciar os programas e políticas que afetam suas vidas em seus países.
É no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência que as Nações Unidas ressaltam os benefícios que a acessibilidade traz não só para as pessoas com deficiência, mas também para a sociedade como um todo, afinal, inclusão representa uma verdadeira mudança no estado civilizatório.
Basta lembrar que os países com os melhores Índices de Desenvolvimento Humano enxergam a diversidade como uma riqueza, e tomam medidas constantes para mitigar a desigualdade. Nesse sentido, a acessibilidade é inserida como um dos princípios básicos dos direitos humanos e, sob uma perspectiva mais ampla, é um dos pilares capazes de promover a igualdade, essa pauta tem sido tratada de forma prioritária na agenda das Nações unidas há pelo menos 30 anos. Porém, todos os assuntos elencados acima não é a realidade de grande parte dos brasileiros com deficiência, por isso queremos deixar uma reflexão, quiçá um conselho, para quem é, ou tem, alguma proximidade com uma pessoa com deficiência. Sugerimos que pensem na palavra "luta" num sentido mais individual, seja pela luta dos direitos que aos poucos estão se esvaindo, pelos vãos dos nossos dedos, seja pela adesão das pessoas com deficiência ao movimento social. Toda pessoa com deficiência que conhece seus direitos deveria ter a obrigação moral e social de propagá-los àqueles que não tiveram a mesma oportunidade de conhecimento.
Entendemos que a aceitação da condição da deficiência é o que faz toda diferença, embora aceitar ser quem somos dói, fere, sangra e cura, tudo isso ao mesmo tempo. O tamanho da cicatriz da não aceitação de si mesmo vai depender de quanto tempo isso pode durar e o tanto de danos que isso vai nos causar, porque quanto mais se posterga o enfrentamento da aceitação, esse sentimento cresce e gera angustias e raiz de amargura.
Muitas vezes precisamos de um tempo mais longo para conseguir olhar no espelho e admitir que somos diferentes, e as sequelas dos nossos atos vamos percebendo ao longo do tempo, quando paramos de negar que o uso de uma tecnologia assistiva seria permanente, quando paramos de comparar a vida que temos com aquela que hoje vemos que poderíamos ter tido. A visão da nossa mobilidade manca, que tivemos da vida todo esse tempo nos faz entender o que é tão óbvio: É preciso lutar por ou contra si mesmo, caso queiramos realmente ser quem se quer ser, antes de lutarmos pelos nossos direitos precisamos saber aceitar quem de fato somos, temos que lutar sempre por acessibilidade em todas suas nuances, temos de lutar por rampas, lutar por lupas, lutar por áudio-descrição, lutar por interprete de libras, mas principalmente temos que lutar pela nossa própria aceitação, quando somos aceitos por nós mesmos nos tornamos revestidos de uma couraça que nenhum tipo de preconceito ou capacitismo consegue nos frear, tornamo-nos verdadeiros guerreiros em busca da equidade para todos.
O autor é o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Comude.