Política

Delegado vai pedir a prorrogação de prisão temporária de Carlinhos do PS

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

O delegado Gláucio Eduardo Stocco, responsável pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), que comanda as investigações que levaram à prisão de Carlinhos do PS (PTB), vai pedir hoje a prorrogação da prisão temporária do vereador de Bauru por mais cinco dias para concluir o inquérito.

Nesta quinta (2), foram ouvidos os ex prefeito e vice Clodoaldo Gazzetta e Toninho Gimenez, e o delegado representou à Justiça o pedido de doação das cestas básicas e medicamentos que foram apreendidos na casa do vereador Carlinhos do PS, entre outros itens, como material esportivo e uniformes escolares. Foram recolhidas ainda planilhas e um telefone celular.

O parlamentar e outras cinco presas foram presas na segunda-feira (29), acusadas dos crimes de concussão (quando funcionário público exige vantagem indevida para si ou para outra pessoa, direta ou indiretamente), corrupção eleitoral e organização criminosa.

De acordo com o delegado, a prorrogação é necessária devido ao grande número de depoimentos que ainda estão previstos. Ontem (2), além dos ex-prefeitos, foram ouvidos ex-funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Hoje (3), quem deve depor é o vereador Eduardo Borgo (PSL), que teve seu depoimento adiado. Para segunda-feira (6), vários outros depoimentos já estão previstos em uma lista, adiantou Gláucio Stocco, sem citar nomes.

O pedido de prisão temporária, que tem duração de cinco dias, pode ser prorrogado apenas uma vez e pelo mesmo período, para que então seja concluído o inquérito e, se for o caso, pedida a prisão provisória. Esta sem prazo definido, mas que deve ser apreciada pela Justiça em até 90 dias.

CESTAS, MATERIAL ESPORTIVO E REMÉDIOS

Enquanto encaminha as apurações do inquérito policial, o delegado também representou como parte dos autos o pedido de doação de seis cestas básicas e de diversos medicamentos que foram apreendidos na casa do vereador. O objetivo é entregar os alimentos para entidades assistenciais e enviar os medicamentos para uso ou distribuição pela Secretaria de Saúde de Bauru.

Também deve ser enviado à Secretaria de Esportes de Bauru os materiais desportivos que foram apreendidos durante a prisão do vereador, entre eles redes, bolas e uniformes.

O delegado apura ainda por que o vereador tinha em seu poder uniformes escolares da rede estadual de Educação e da rede municipal de Ensino da cidade de Guaratinguetá. Os ofícios com pedido de informações sobre a propriedade das peças, que possam contribuir com a apuração seriam endereçados à Secretaria de Estado da Educação, em Bauru, e à Prefeitura de Guaratinguetá.

RACHADINHA FINANCIAVA ESQUEMA FRAUDULENTO

Segundo as investigações, as pessoas presas e que são ligadas ao vereador intermediavam favores como cestas básicas, equipamentos esportivos, medicamentos e até cirurgias em troca de votos para sua reeleição, caracterizando crime de corrupção eleitoral.

De acordo com o delegado Stocco, parte do financiamento do esquema vinha da prática conhecida como "rachadinha", nome dado quando funcionários de cargos comissionados repassam parte dos salários para o agente político que os indicou para o cargo. Segundo a polícia, ao menos três pessoas lotadas na Emdurb até o ano passado repassavam 50% dos vencimentos de volta para Carlinhos.

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