Tribuna do Leitor

Brasil, o país do futuro?

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil, ao longo da sua história, sempre foi considerado um país do futuro. Não só pelos brasileiros como também pelos estrangeiros. Quando Juscelino Kubitschek inaugurou Brasília, em 1960, o mundo voltou os olhos para o Brasil.

O projeto do Plano Piloto, elaborado pelo urbanista Lúcio Costa, em parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer, ficou mundialmente conhecido. O cosmonauta russo Yuri Gagarin, que entrou pra história como o primeiro ser humano a viajar pelo espaço, em 1961, a bordo da espaçonave Vostok 1, em visita à cidade de Brasília teria exclamado - Tenho a impressão de estar desembarcando em um outro planeta. Pra quem disse a frase 'A terra é azul!', o que teria chamado a atenção do soviético?

Mas diante de um conjunto de acontecimentos, sucedidos no dia 31 de março de 1964, que terminou em um golpe militar no dia 1 de abril de 1964, o regime militar pôs fim ao governo do presidente João Goulart. Apesar da coincidência da data, não foi o Dia da Mentira. Dentre todos os grandes decretos emitidos a partir desta data, o pior de todos foi o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), em 1968. Desta data em diante, o Brasil passou a ser o país do presente e não mais do futuro. De forma obscura, o futuro do país, por várias razões, estava comprometido. Sem querer entrar no mérito, foi o início da nossa decadência. Infelizmente, o futuro de que tanto se falava e sonhava, acabou em pesadelo.

Os vinte anos de ditadura levaram o país do céu ao inferno. No campo da economia, de 1968 a 1973, vivemos com grande euforia, devido ao "milagre econômico", que apresentou um crescimento duradouro e eficiente, desde o impulso de 1945. Mas o tal milagre econômico foi um sonho de verão. O Brasil deixou de receber empréstimos e passou a pagar juros excessivos, pela dívida externa. Como resultado, tivemos o aumento da pobreza e da miséria, em função do arrocho salarial, desvalorização do câmbio e consequentemente da redução do poder aquisitivo da população, devido a um salário mínimo irrisório. Segundo a teoria, do Ministro da Fazenda, Delfin Netto, em seu mandato (1967 a 1974), ele propunha que esperássemos que o bolo crescesse, para em seguida reparti-lo. Pelo jeito, faltou fermento, pois o bolo não cresceu até hoje.

O primeiro presidente civil, após a saída dos militares do governo, foi Tancredo Neves, eleito indiretamente em 1985. Como faleceu antes da posse, assumiu a presidência o vice-presidente José Sarney. As eleições diretas só viriam a acontecer em 1989, com a vitória de Fernando Collor de Mello. Com os civis no poder, se olharmos o cenário da "Nova República" vamos perceber que não mudou em nada. Tivemos o Plano Cruzado I, Plano Cruzado II, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor I, Plano Collor II e o Plano Real. Com eles, a companhia indesejável da inflação; congelamento de preços; corte de três zeros na cédula monetária; desabastecimento de produtos; tablita para conversão; confisco da conta poupança; greve dos caminhoneiros...

O professor doutor da Universidade de São Paulo Simão Davi Silber avalia os países da seguinte forma - Se você olha para o seu pai e chega à conclusão de que você está melhor do que ele, olha para o seu filho e vê as oportunidades que ele está tendo, você deduz estar vivendo num país que está dando certo. Agora, se você olha para o seu pai e têm inveja dele. Olha para o seu filho e têm pena dele. Você está vivendo num país que não está dando certo.

Este país, infelizmente, é o Brasil.

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