Tunes - A Presidência da Tunísia invalidou nesta quinta-feira (9) a Constituição do país, defendendo que o problema político atual decorre da Carta de 2014. "O caminho para frente é se voltar às pessoas de uma maneira completamente nova e diferente", diz o comunicado do presidente Kais Saied.
Ao desfazer a Constituição, o presidente do país africano consolida cada vez mais o seu poder. Em julho, ele suspendeu o Parlamento por um mês, medida que foi prorrogada até nova ordem em agosto.
Ao dissolver o Legislativo, ele ainda destituiu o primeiro-ministro Hichem Mechichi e assumiu plenos poderes pelo Executivo. A Tunísia funciona em um sistema parlamentar misto em que cabem ao presidente apenas as funções diplomáticas e militares, e o país é governado pelo primeiro-ministro. Desde a metade do ano, Saied vem governando por decreto.
A decisão foi denunciada como um golpe de Estado por juristas e opositores do presidente, em particular pelo partido islâmico Ennahda, que possuía a maior bancada do Parlamento antes da dissolução. Após as medidas, o presidente não nomeou um novo primeiro-ministro nem apresentou seus planos, exigidos por aliados ocidentais, partidos políticos e organizações da sociedade civil.