Economia & Negócios

13.º salário deve injetar R$ 364 mi na economia de Bauru neste ano

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O pagamento do 13.º salário poderá representar a injeção de aproximadamente R$ 364,661 milhões até o fim deste ano em Bauru. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os maiores valores deverão vir dos trabalhadores do comércio, da construção civil e da indústria de transformação.

O estudo faz estimativas com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ambos do Ministério da Economia, considerando o total dos assalariados com carteira assinada, empregados no mercado formal, nos setores público e privado. Em Bauru, os R$ 364,661 milhões serão distribuídos entre 128.791 profissionais.

De acordo com o levantamento, os bauruenses que atuam no comércio - setor com maior número de empregados no município - deverão receber R$ 64,735 milhões em 13.º salário, sendo os que devem injetar maior volume de dinheiro na economia da cidade neste mês. Ao todo, a estimativa é de que sejam 28.352 trabalhadores do setor, com salário médio de R$ 2.283,28.

Como a divisão entre as categorias profissionais é feita com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae), este número também engloba o segmento de prestação de serviços automotivos. Na sequência, figuram os trabalhadores da construção civil, que receberão R$ 46,009 milhões (12,62% do total a ser pago em 13.º). Apesar de serem em número menor do que os que atuam no comércio (são 15.516 empregados), eles recebem média salarial ligeiramente maior, de R$ 2.965,31.

INFORMAIS

"Vale destacar que uma parte dos comerciários recebe comissões de vendas, que são computadas no 13.º, pela média recebida. Já em relação à construção civil, temos uma economia informal, que não é detectada pelos números apresentados e está nas obras individuais", observa o economista Reinaldo Cafeo, salientando que, nestes casos, frequentemente, os trabalhadores não são empregados com carteira assinada. "Há, ainda, muitos MEIs neste setor, que não têm direito ao 13.º", acrescenta ele, que também é presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).

Já as indústrias pagarão R$ 39,430 milhões em 13.º (10,81% do total da cidade) a 12.745 profissionais, que têm remuneração média ainda melhor do que duas primeiras categorias, de R$ 3.093,79. Para se ter ideia, dentro da indústria, apenas o setor químico responderá pelo pagamento de R$ 5,7 milhões em Bauru.

"A indústria tem sindicatos fortes, que conseguem bons benefícios, e que não registrou grandes demissões durante a pandemia. A estabilidade no emprego gera valor elevado de 13.º, que é pago de forma integral e não proporcional. E, quanto mais alta a qualificação, maior será o benefício", analisa o economista.

ADMINISTRATIVO

Em contrapartida, o setor de atividades administrativas, como é o caso do ramo de telesserviços, que tem forte atuação em Bauru, engloba o segundo maior contingente de trabalhadores (21.270 pessoas), mas desembolsará menos que a indústria em 13.º. A estimativa é de que o valor chegue a R$ 36,942 milhões, já que o benefício médio deste segmento é de R$ 1.736,86.

"O comércio é o maior empregador da cidade e o setor administrativo, o segundo. Porém, a massa salarial deste último, ou seja, o dinheiro que é injetado na economia, não acompanha na mesma proporção, porque a média salarial é reduzida", avalia o economista do Dieese, Daniel Ferrer de Almeida. Cafeo menciona, ainda, a elevada rotatividade do segmento, que também contribui para rebaixar o valor médio do 13.º.

Já as melhores remunerações são pagas pelo setor bancário e de seguros (R$ 6.923,78), ramo de eletricidade e gás (R$ 5.700,79) e administração pública (R$ 4.810,38). Os três segmentos desembolsarão, respectivamente, R$ 20,619 milhões, R$ 883,6 mil e R$ 33,567 milhões em 13.º salário.

 

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