Composta por quem nasceu entre 1995 até aproximadamente 2010, a geração Z tem demonstrado cada vez mais interesse no mercado financeiro. Nativos digitais, muitos deles têm se abastecido de informações, especialmente pela Internet, para desvendar as vantagens de investir. E, como jovens, normalmente têm perfil mais arrojado, que opta por aplicar seu dinheiro em ações, na contramão da média de investidores brasileiros, que costumam ser mais conservadores.
"São investidores com patrimônio ainda pequeno, porque estão começando a investir agora, que ainda fazem pequenos aportes. Eles não pretendem utilizar esse dinheiro no curto prazo, visando formar um patrimônio para o futuro, que cresça de forma mais rápida", descreve o assessor de investimentos Higor Vieira, da Blue3 Investimentos.
São pessoas como o bauruense João Francisco Dansieri de Almeida Prado e Piccino, 15 anos, que começou a investir em 2021, mas já estuda sobre o assunto desde quando tinha apenas 12 anos. Quando fez aniversário neste ano, procurou uma corretora de valores digital e começou a aplicar a mesada que recebe dos pais, já pensando em garantir uma aposentadoria mais polpuda para o futuro.
"O interesse surgiu em uma conversa com um tio meu, que trabalha com mercado financeiro. Comecei a estudar, ler jornais para acompanhar o mercado e, então, surgiu a vontade de começar a investir. Faço tudo pelo celular e, com uma corretora digital, não pago taxa, o que é interessante para mim, que invisto menores valores", frisa.
CRIPTOMOEDA
Hoje, João adquire principalmente ações de empresas, porém, também já começou a investir uma pequena parte do seu dinheiro em criptomoedas, um tipo de "dinheiro", com o diferencial de ter totalmente digital e não emitida por nenhum governo, como é o caso do real ou do dólar, por exemplo. Pelo celular ou notebook, ele monitora o movimento do mercado o dia todo - dividindo seu tempo com os estudos escolares e lazer - e, também de forma online, toma todas as decisões sobre onde e quando aplicar seus recursos.
E o gosto pelo mercado acionário foi tanto que será esta carreira que o jovem seguirá assim que concluir o Ensino Médio. "Quero fazer faculdade de economia e trabalhar na área. E quero continuar investindo por toda minha vida, para ter esta renda extra na minha aposentadoria", projeta.
João tem pelo menos mais dois amigos com idade próxima a dele que também investem no mercado financeiro. E, segundo o assessor de investimentos Higor Vieira é cada vez maior o número de jovens interessados no assunto, utilizando suas economias em aplicações de maior risco, que garantem melhores rendimentos.
"De forma geral, eles são mais arrojados, diferente do poupador que quer proteger o patrimônio com títulos mais conservadores. Eles têm uma proximidade muito maior com a Internet, onde todas as informações sobre o assunto ações estão disseminadas. Com conhecimento, disciplina financeira e orientação, conseguem acumular capital", descreve.
CHAVE DO SUCESSO
Vieira destaca, aliás, que dedicar-se com afinco aos estudos sobre o mercado é a chave para qualquer investidor ser bem-sucedido, independentemente da idade ou do volume de dinheiro a ser aplicado. Porém, como os jovens são mais íntimos da Internet, onde acessam as informações, muitos deles têm até mesmo estimulado seus pais a ingressar no mercado acionário.
"É um paradigma que o jovem tem ajudado a quebrar, porque, na média, o brasileiro com mais idade opta por modalidades mais conservadoras, como a velha poupança, que rende menos que a inflação, porque não sabe que existem aplicações com o mesmo nível de segurança, mas que rendem o dobro. Cerca de 93% dos investidores ainda estão vinculados a bancos. Então, ainda há um leque vasto para explorar, para que estas pessoas tenham um rendimento melhor", completa.