Atitude

Biotipos das brasileiras foram, enfim, padronizados

FolhaPress
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Entrar em um provador pode ser uma experiência constrangedora para uma parte importante da população feminina no Brasil. Ter que pedir o tamanho GG quando você tem o quadril muito largo, ou o manequim 34 quando tem baixa estatura, costuma ser acompanhado de comentários por parte do vendedor ou olhares curiosos de quem está por perto na loja.

Se depender da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este problema deve deixar de existir. A entidade acaba de aprovar a NBR 16933, norma que visa padronizar tamanhos e medidas de roupas femininas no País.

"A NBR 16933 institui a centimetragem na etiqueta das roupas", diz Maria Adelina Pereira, gestora do Comitê Brasileiro de Normalização de Têxteis e do Vestuário da ABNT. "Não interessa se para determinada marca um tamanho de calça é 44 e para outra é 50: se a consumidora sabe quanto mede o seu quadril, isso deve ser o suficiente para que ela encontre a peça que precisa", afirma. A iniciativa era aguardada com ansiedade pelas confecções e modelistas. O Brasil está no limbo quando se trata de medidas para definir o tamanho das roupas das mulheres.

O comitê da ABNT escolheu dois dos cinco principais biotipos femininos no Brasil para basear a norma referencial. São eles: "retângulo" e "colher", identificados na pesquisa antropométrica da população brasileira, a Size BR, conduzida entre 2006 e 2015 pelo Senai Cetiqt (Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do Serviço Nacional da Indústria).

No Brasil, 76% das mulheres têm o biotipo retângulo: quando as circunferências do tórax e do quadril são aproximadamente iguais, com uma linha de cintura pouco marcada. O outro biotipo escolhido foi o da "colher": quando o quadril é maior que o tórax e sua lateral é bem marcada e arredondada - é o que mais se assemelha ao popular "violão", embora esse biotipo represente apenas 8% das brasileiras.

A ABNT NBR 16933 determina dimensões em centímetros para cada biotipo, levando em conta desde o perímetro da cabeça, pescoço, passando pelos ombros, busto, cintura, quadril, costas, coxa, joelho, panturrilha até o tornozelo.

Ao longo dos anos, cada rede ou confecção procurou criar referências próprias de tamanhos. Recentemente, por exemplo, a Renner investiu em tecnologia 3D para aperfeiçoar o processo de modelagem, com o desenvolvimento de 14 manequins físicos projetados a partir do escaneamento de corpos reais. O Brasil não conta com medidas oficiais de vestuário feminino desde 2012.

Naquele ano, foi revogada a norma anterior, de 1995, a NBR 13377, que tratava de maneira genérica de medidas referenciais do corpo humano. Em 2009, foi criada a NBR 15800, com medidas infantis, e em 2012 foi lançada a NBR 16060, de medidas referenciais masculinas.

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