Embora a demanda por terrenos deva seguir aquecida em todo o Estado no ano que vem, o valor do metro quadrado deve se estabilizar nos próximos meses. A análise é de Caio Portugal, presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (Aelo). Diante da combinação de inflação, altos custos de produção e perda do poder de compra do brasileiro, a saída para o setor, avalia ele, é reduzir as margens de lucro e esticar os prazos para pagamento, o que deve se traduzir em estabilidade no preço dos lotes urbanos.
"As empresas de loteamento não podem descolar da capacidade de renda do consumidor, que ainda enfrenta forte inflação e achatamento dos salários. Será necessário mudar condições de financiamento e alongar prazos. Algumas já trabalham com pagamentos em até 20 anos", explica Portugal, que também é vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP).
Em Bauru, o metro quadrado de lotes abertos custa, em média, R$ 549, segundo pesquisa da Brain Inteligência Estratégica. Na média de 14 regiões pesquisadas no Estado, entre elas Bauru, o valor é de R$ 530. Nos lotes fechados, essa diferença é maior (veja no quadro abaixo).
Apesar da renda apertada, a procura por terrenos tem se mantido aquecida. Levantamento da Brain mostra que, de janeiro a setembro de 2019, antes da pandemia, foram vendidas 28,4 mil unidades nessas 14 regiões. Neste ano, foram 33,5 mil no mesmo período, alta de quase 18%. "O terreno é o produto habitacional de menor preço e representa o sonho de uma pessoa. Ela compra e passa a construir de acordo com a sua capacidade. Com a pandemia, as pessoas perceberam a necessidade de ter mais espaço e ventilação, mesmo que seja um lote popular", avalia Portugal.
Os lançamentos de terrenos crescem em ritmo ligeiramente mais lento. Em 2019, também de janeiro a setembro, foram ofertadas 24,1 mil novas unidades nas regiões paulistas pesquisadas. Neste ano, são 27,8 mil, aumento de 15%. "Houve um desarranjo produtivo mundial. Matérias-primas como aço, minério de ferro e petróleo encareceram os custos de novos loteamentos. E 2021 é o primeiro ano de muitas prefeituras, geralmente com trocas de cargos responsáveis pelos licenciamentos, por isso a desaceleração de processos", conclui Caio Portugal.