Santiago - Os chilenos vão às urnas neste domingo (19) com a sensação de que tudo pode acontecer. A última pesquisa oficial divulgada por um instituto respeitado, o Cadem, mostrava o esquerdista Gabriel Boric liderando a corrida presidencial com cinco pontos percentuais de vantagem - 40% das intenções de voto, contra 35% do ultradireitista José Antonio Kast. E mais: 25% se diziam indecisos.
Na última semana da disputa é proibido divulgar sondagens, embora os partidos sigam encomendando levantamentos. Algumas delas vazam via redes sociais, especialmente por WhatsApp, plataforma na qual também se disseminam números pouco confiáveis, sem fontes claras. O resultado é ruído e confusão entre apoiadores. "Vi que estamos virando e já estamos à frente por 3 pontos", disse Sol Balvanera, que esteve no encerramento de campanha de Kast. Ao ser questionada de onde tirou o número, a apoiadora do candidato ultradireitista não soube responder.
Se, no passado, as pesquisas já erravam muito no Chile, agora, com a desinformação turbinada por meio de redes sociais, a confusão sobre o que pode ocorrer é ainda maior. O mais recente levantamento do Cadem mostra que Boric cresceu mais do que Kast, absorvendo parte importante dos votos que, no primeiro turno, foram para a centro-esquerdista Yasna Provoste e para o direitista liberal Franco Parisi. Já Kast, segundo a mesma sondagem, aumentou seu apoio principalmente com a adesão de eleitores de Sebastián Sichel, candidato governista e da direita tradicional.
O que aumenta o clima de incerteza é o fantasma da abstenção. O voto no Chile não é obrigatório, e o país vem de uma sequência de eleições com nível muito baixo de comparecimento. No primeiro turno, apenas 47% dos eleitores foram às urnas.