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Esperança dá o tom a este Natal

TISA Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Símbolo de renovação, o Natal, feriado cristão que celebra o nascimento de Jesus Cristo, será marcado, dentro de muitas famílias, por um sentimento mais fortalecido do que nunca de esperança neste fim de ano, após um longo período de limitações e incertezas sobre o futuro trazidas pela pandemia da Covid-19. Muito distante de um gesto ingênuo ou de passividade, o ato de nutrir a esperança é descrito por especialistas ouvidos pelo JC como um elemento essencial para cada indivíduo transformar suas vidas e alcançar objetivos.

Com a pandemia e a sensação de falta de controle que ela impôs, a capacidade de se manter esperançoso perdeu forças em vários momentos e muitas pessoas se sentiram verdadeiramente "à deriva". Agora, com o arrefecimento da Covid-19, o momento é propício para voltar a buscar "uma direção para onde remar". Esta é a avaliação da psicóloga clínica Carolina de Menezes Santos, que define a esperança como o "combustível" da confiança necessária para que as pessoas acreditem na concretização de suas metas ou desejos.

"É uma habilidade que a pessoa vai nutrindo ao longo dos dias para enfrentar as adversidades que a vida impõe a todos nós. Porém, com a pandemia, tivemos um registro alto de mortes, perda de pessoas queridas e de estabilidade financeira, o isolamento, o medo, a alteração da rotina, e isso fez com que esse 'combustível' ficasse um pouco escasso. Agora, neste fim de ano, iremos experimentar uma espécie de travessia de uma situação catastrófica para uma nova realidade, em um contexto melhor", analisa.

Também psicóloga clínica, Claudia Zogheib destaca que a falta de esperança é sinônimo de desespero, desapontamento e desamparo. Assim, quem para de alimentar por completo este sentimento pode deixar de encontrar sentido na vida e, desse modo, colocar em risco sua saúde mental.

SENTIMENTO POTENCIALIZADO

"Precisamos ter coragem, inclusive diante daquilo que não podemos mudar. E o Natal, festa de natureza amorosa e de vínculos sociais, nos ajuda a praticar os melhores sentimentos que mantemos dentro de nós. De uma certa forma, buscamos isso o tempo todo, mas, nas festas do fim de ano, é algo que se potencializa. E, após a repercussão da pandemia, é algo que se potencializou ainda mais", avalia ela, que também é psicanalista.

Ainda de acordo com Zogheib, o que cada indivíduo será amanhã dependerá de sua capacidade de sonhar hoje. E é a esperança quem sustenta esta habilidade de vislumbrar um futuro de realizações, de criar e alimentar projetos a serem concretizados. Carolina Santos também considera que a esperança é, de fato, uma "necessidade vital e absoluta" do ser humano, que o move a desejar, acreditar e agir para que coisas boas aconteçam.

E, segundo ela, assim como o Natal, também o Réveillon, que marca o encerramento de um ciclo e início de um novo, deve estimular as pessoas a fazerem sua retrospectivas particulares e recobrarem o otimismo para estabelecer metas futuras - porém, realistas -, mesmo em meio a eventuais dificuldades. Desse modo, a psicóloga ensina que, para viabilizar esses planos, o ideal é traçar pequenos propósitos de curto prazo.

Para este Natal, por exemplo, vale se dedicar à troca de afeto - que foi dificultada na pandemia -, conversar olhando nos olhos, abraçar, trocar presentes e verbalizar sentimentos, como forma de se reabastecer para o ano que está prestes a começar. "É um pequeno passo por vez. É pensar em qual é a sua esperança para o dia de hoje, o que você pode fazer melhor hoje. Assim, aos poucos, com as possibilidades que cada um tem, a vontade de ter dias melhores irá se tornando realidade concreta", encerra Carolina Santos.

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