Em 1905 nascia em Maceió uma menina que recebeu o nome de Nise (mais tarde 'da Silveira'), futura estudante de psiquiatria, pela Faculdade de Medicina da Bahia, onde se formou, sendo a única mulher dentre 158 alunos. Conheceu então seu futuro marido Mário Magalhães da Silveira. Foi aluna de Carl Jung, com quem mantinha correspondência.
Veio para o Rio de Janeiro, após a morte dos pais. Simpatizante do comunismo, foi presa durante o governo de Getúlio Vargas, onde conheceu Olga Benário, companheira de Luiz Carlos Prestes, e tinha contato com o escritor Graciliano Ramos. Após libertada, foi contratada em 1944 pelo Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II. Ali encontrou uma diretoria adepta de choques elétricos, camisa de força, e outros castigos, ao que ela se opunha veementemente! Como punição, foi transferida para a pior área do hospital, onde com o médico Fábio Sodré revolucionou o tratamento oferecendo aos internos, jogados na sarjeta, muitos nus, um tratamento digno, dando a eles, telas, tintas e pincéis.
Os abrigados, na maioria esquizofrênicos, ficaram livres para expor sua arte, de onde saíam maravilhas e até mandalas! Criaram verdadeiras obras de arte! Seus trabalhos foram expostos no Museu de Imagens do Inconsciente, ganharam exposições no exterior, em Zurique, por exemplo... Continuou a se corresponder com Jung, que se interessou muito, principalmente ao saber que sua aluna que permitiu aos abrigados contatos com animais dóceis como cães vira latas... Seu marido não foi mais citado. Faleceu de pneumonia em 1999.
Mulher à frente de seu tempo, mereceu ser homenageada, pois enfrentou machismo e toda sorte de preconceitos e teve sua vida relatada em filme, estrelado pela atriz Glória Pires e dirigido por Roberto Berliner. Já me programei para assistir novamente, pela Netflix, em 29 ou 30 de dezembro do ano que se finda.
Vale a pena conhecer a biografia de uma mulher que teve grande importância na profissão que escolheu.