Foi publicada neste espaço, no dia 5 de dezembro, uma carta dos representantes da comunidade da EMEF Dirce Boemer Guedes de Azevedo, relatando a situação da nossa escola e pedindo providências. Apenas para lembrar, foi enviado um abaixo-assinado para a Secretaria Municipal da Educação no dia 23 de novembro, com cerca de 200 assinaturas, relatando toda a situação, e para nosso espanto, a comunidade foi totalmente ignorada, já que não houve uma resposta por parte daqueles que deveriam estar a serviço da população.
Nesse documento relatamos a paralisação da reforma da nossa escola, que ocasionou nossa mudança para o espaço do Centro de Transformação e Vivências (CTV), no José Regino em setembro e todos os problemas enfrentados nesse espaço:
- alunos e funcionários percorrendo longas distâncias (500 a 700 metros) sob sol e chuva, sem qualquer proteção; - funcionários transportando alunos com seus guarda-chuvas;
- dificuldades de manutenção do espaço, por haver poucos funcionários, além de falta de material (não tem álcool líquido para higienização, entre outros);
- salas comportando duas turmas com aulas simultâneas, divididas de modo improvisado com armários e caixas, impossibilitando um trabalho pedagógico qualitativo;
- ausência de espaços para atividades de reforço, necessárias já que os alunos ficaram dois anos em ensino remoto; - aparecimento de animais peçonhentos (escorpiões, aranhas, lacraias, cobras, morcegos etc.) que estão nesse espaço justamente por estarmos numa área de bosque, inapropriada para alocar uma escola com 400 alunos, atendendo a 100% da demanda.
Após muita insistência, no dia 17 de dezembro a Secretaria da Educação aceitou receber algumas mães de alunos, acompanhadas por vereadores, para uma reunião em que foi dito o seguinte:
1) foi falado às mães que, se quiserem, elas podem procurar um lugar mais adequado para atender aos 400 alunos da escola. Ou seja, jogou-se no colo da comunidade uma obrigação que cabe à Prefeitura. Ao serem questionados sobre a compra da Escola Guedes de Azevedo, que possui estrutura para comportar esses alunos, foi respondido que esse prédio abrigará a educação infantil para as mães que trabalham naquela região. Porém dois pontos causam estranhamento: como fica a resposta dada em reunião com a vereadora Estela Almagro e o sindicato, publicada em rede social, de que a compra desse prédio se justifica para abrigar escolas em reforma? No que a Secretaria se baseia pra justificar a real necessidade de uma escola de educação infantil naquela região? Como pretendem colocar educação infantil, que normalmente atende o máximo de 180 crianças, em um espaço com 3 andares que abrigaria aproximadamente 500 alunos? Ou será que vamos ter um depósito de crianças e retroceder na educação infantil municipal?
2) foi falado às mães que serão feitas melhorias no espaço que já existe, que será colocada divisória para dividir as salas e que, se necessário, isolamento de som com isopor. Ou seja, para a comunidade do Tangarás e Ferradura, qualquer improviso serve.
3) foi falado às mães que, em relação aos animais peçonhentos, é função da escola ensinar às crianças que eles existem e que elas precisam aprender a conviver, assim como tomar cuidado e não chegar perto. Inclusive foi citado o exemplo de uma escola (particular) da cidade que segue esse modelo. Em primeiro lugar, não estamos em uma escola particular, mas numa escola pública municipal com todas as dificuldades possíveis. Em segundo lugar, as professoras já orientam os alunos e os funcionários tomam cuidados diários para proteger nossas crianças. Em terceiro lugar, nós não queremos nossos filhos expostos a essa situação.
4) foi falado às mães que a Secretaria pretende colocar um funcionário por uma ou duas semanas na escola, para verificar se realmente esses animais peçonhentos existem no local. Achamos estranho a Secretaria fazer questão de colocar um funcionário para comprovar se a comunidade está dizendo a verdade, mas não mandar mais funcionários para ajudar na limpeza, por exemplo.
Não queremos mais desculpas ou paliativos. Nossas crianças merecem um espaço decente enquanto a nossa escola estiver em reforma. Não somos corretores da Secretaria da Educação, somos familiares preocupados com nossas crianças e indignados com esse desprezo pela comunidade.
Prefeita Suellen, nós te elegemos porque confiamos em você! Não nos decepcione! Nos atenda!
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