Política

Grupo de médicos emite carta pública contra condições propostas por nova OS

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de médicos divulgou uma carta aberta à população de Bauru em protesto ao resultado do chamamento público que definiu a Organização Social (OS) que vai gerenciar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Bela Vista e Ipiranga, a partir do dia 1 de janeiro. Os médicos questionam o valor da remuneração apresentado pela Organização Social de Medicina e Educação de São Carlos (Omesc), 28% inferior ao valor atual pago pela Fundação Estatal Regional de Saúde (Fersb). A Omesc afirma que o valor oferecido está dentro da média paga na região e que já tem contratados médicos para iniciar os plantões em janeiro. Uma reunião pública, que será realizada nesta terça-feira (28), na Câmara Municipal, proposta pelo vereador Júnior Rodrigues (PSD), vai debater o assunto, a partir das 9h.

A carta divulgada é assinada por 22 médicos que prestam serviços por meio da Fersb. Atualmente, o valor pago por plantão é de cerca de R$ 1,5 mil, e a proposta vencedora fica entre R$ 1,2 mil e R$ 1,3 mil, dependendo do dia da semana em que os profissionais trabalham.

O médico Rafael Arruda Alves avaliou que o valor é incompatível com a formação do médico e que a redução vai afetar as famílias dos cerca de 50 profissionais da área, que deixarão de prestar os plantões nas duas unidades. Porém, justificou a preocupação pelo reflexo que a contratação pode ter para a qualidade do atendimento oferecido à população. "Uma vez que há o entendimento de que quando há oferta menor de plantão os profissionais mais bem qualificados e mais bem preparados acabam não assumindo esses plantões. Estes profissionais qualificados acabam não considerando os plantões com valor baixo, mediante o risco da sua atividade profissional", avaliou.

De acordo com o médico, depois de sete anos sem reajuste, a expectativa era de que em 2022 os profissionais tivessem aumento no valor dos plantões. Ele também expressou o receio de que a redução afete outras categorias profissionais das unidades, como administrativo e enfermagem. "A enfermagem de Bauru tem um dos menores salários do país, inclusive. A preocupação é grande não apenas pela nossa classe, mas pelas outras classes envolvidas", afirmou.

APM

Acionada pelos médicos, a Associação Paulista de Medicina (APM), em Bauru, informou que está acompanhando os questionamentos e que o receio é quanto aos efeitos que a nova proposta pode ter. "Esta nova empresa vai prestar o mesmo serviço, com a mesma qualidade? Ela vai conseguir cumprir com o que é proposto e com o que a prefeitura está pedindo? Não sabemos, na verdade. Vai ter como ela prestar a mesma qualidade de serviço à população bauruense? Vai cair a qualidade do serviço?", questionou o presidente da APM, José Eduardo Marques.

O presidente afirmou que a Associação vai acompanhar de perto o serviço prestado pela nova entidade. "Se o médico conseguir ter o proveito satisfatório e prestar o serviço com qualidade, esta OS dar condições para que o médico e toda a equipe prestem serviço de qualidade, não teremos problema, mas temos que ver se ela vai conseguir fazer isso", ponderou.

PREFEITURA

O contrato entre prefeitura e a Omesc foi assinado nesta segunda-feira (27), na presença de representantes do Conselho Municipal de Saúde e de vereadores. Na opinião do atual secretário de Saúde, Orlando Costa Dias, é preciso aguardar para ver como será o desempenho da nova prestadora de serviço. Durante a assinatura, foi apresentada a lista com nomes de médicos de Bauru e dois de cidades próximas fechando o número para os primeiros plantões de janeiro. "Não vou ser mais secretário no ano que vem, mas continuo vice-prefeito e vou acompanhar isso de perto", garantiu.

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