Política

Escala inconsistente reforça temor por troca de gestão em duas UPAs

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 4 min

Inconsistências e contradições identificadas na escala médica apresentada pela Organização Social de Medicina e Educação de São Carlos (Omesc) durante a reunião pública realizada nesta terça-feira (28), na Câmara Municipal, geraram ainda mais insegurança e incertezas sobre a prestação do serviço que a organização social iniciará no próximo dia 1 de janeiro, no gerenciamento das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Bela Vista e Ipiranga. Durante a reunião, foram feitos questionamentos e prestadas informações sobre o atendimento que substituirá o serviço que será prestado até 31 de dezembro pela Fundação Estatal Regional de Saúde de Bauru (Fersb).

Chamada pelo vereador Júnior Rodrigues (PSD), a reunião pública foi promovida após o Conselho Municipal de Saúde demonstrar receio pelos baixos valores apresentados para o pagamento dos plantões médicos pela OS vencedora da licitação (Omesc). Uma carta aberta divulgada por um grupo de médicos no final de semana, questionando este e outros pontos da proposta, aumentou a polêmica em torno da troca das prestadoras dos serviços.

No entanto, o encontro desta terça, que poderia ajudar a dirimir dúvidas, acabou acentuando incertezas, após Júnior Rodrigues, que presidia o evento, pedir que fosse apresentada a escala médica da primeira semana de serviços, entregue na assinatura do contrato entre a Omesc e a prefeitura, na segunda (27), conforme informou o vice-prefeito e secretário de Saúde, Orlando Dias, em entrevista ao Jornal da Cidade/JCNET, e que participou, de forma remota, da reunião.

ESCALA INCONSISTENTE

Juntamente ao vereador Coronel Meira (PSL), a vereadora Chiara Ranieri (DEM) analisou a lista de médicos plantonistas e fez as observações sobre a escala, apontando que alguns profissionais estavam previstos em plantões das duas unidades, no mesmo dia e horário, e que em alguns casos médicos extrapolavam 24 horas de plantões contínuos, um deles chegando a 48 horas de trabalho. Outro caso apontado é de um médico que tem previsto plantão todos os dias, entre 1 e 8 de janeiro, das 7h às 13h, em uma das unidades. "Esta escala não é para ser cumprida. Me preocupa esta ser a escala apresentada pela organização que começa a prestar o serviço dia 1 em Bauru. Se isso aqui é real, nós temos um problema muito sério. Isso aqui já demonstra que temos um problema a ser enfrentado", afirmou a vereadora.

O diretor de Compras e Licitações da Secretaria de Saúde, Fernando César Leandro, que participava da reunião, também remotamente, informou que havia identificado as inconsistências no mesmo dia da assinatura do contrato e acionado a empresa com pedido de esclarecimentos. A Secretaria de Saúde não teria aprovado a definição da lista dos plantões, segundo o diretor.

O presidente da Omesc, João Queiroz, garantiu que as inconsistências seriam resolvidas até a tarde desta terça-feira (28). Durante toda reunião, fez diversas defesas da qualidade do serviço que iniciará em Bauru e consentiu que o atendimento será feito também por médicos de outras cidades. "A partir do dia 1, nós vamos apresentar médicos plantonistas que atenderão a população da maneira correta. Nós vamos pagar um salário um pouco menor que o atual, teremos médicos de Bauru, de fora de Bauru e se, por ventura, faltar algum, temos outros para recolocar no lugar dos faltosos", garantiu.

LISTA COMPLETA

Outro ponto levantado é que a lista com os respectivos plantões identificava os médicos apenas pelo primeiro nome, impedindo de saberem se eram ou não da cidade. O presidente da OS se comprometeu a reenviar, até o final desta semana, a mesma lista com os nomes completos dos profissionais, números de registros e de que quais cidades são.

De acordo com o que foi previsto no edital, a UPA Bela Vista terá três médicos durante o dia e três à noite, além do médico visitador, responsável pelos leitos de enfermaria e pela sala de emergências. Na UPA Ipiranga serão dois durante o dia e dois à noite, além do visitador que cumprirá seis horas diárias.

Além do vice-prefeito e do presidente da Omesc, servidores da Saúde e vereadores, participaram da reunião representantes do Conselho Municipal de Saúde (CMS); da Associação Paulista de Medicina (APM), do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm).

Até as 15h desta terça-feira (28), segundo informações do vereador Júnior Rodrigues, cerca de 450 pessoas haviam sido atendidas na UPA Bela Vista, sendo que um número ainda muito grande de pacientes aguardava por atendimento.

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