Bem sucedido dentro das quadras, o ex-oposto da Seleção Brasileira, Max Jeferson, um dos maiores esportistas da história de Bauru, campeão mundial de vôlei, trilha e concilia atualmente a carreira de gestão de voleibol masculino e do ramo de metalurgia. Max já foi técnico do Voleibol Iacanga, onde revelou jogadores da região para os Estados Unidos, Espanha e Eslovênia, e agora exerce a função de dirigente da equipe. Ao JC, o ex-atleta falou da experiência e dificuldades na transição do alto rendimento para a aposentadoria, de como concilia o trabalho de "cartola" do vôlei com suas atividades como empreendedor.
Dono de um poderoso saque na época de profissional, Max também é o homem forte dos projetos do time de Iacanga na captação de recursos por meio da Lei de Incentivos ao Esporte. E teve participação direta nas históricas participações do Voleibol Iacanga no Campeonato Paulista e na Superliga C.
Como dirigente esportivo, o que lhe tira o sono é a busca incansável de patrocínio, para não deixar o time e o projeto morrerem, segundo ele. Além disso, seu objetivo é fazer com que as pessoas entendam a necessidade de investir no vôlei masculino e que a transformação social surge naturalmente, por meio do Esporte.
"O que me dá mais alegria é o que vem ocorrendo no voleibol de Iacanga. Cinco jogadores que passaram por aqui foram para o Exterior. Além de atletas que defenderam nossa equipe e, depois, alcançaram clubes maiores ao término da temporada. É um sentimento inexplicável", comenta.
O maior desafio no alto rendimento, de acordo com Max Jeferson, é o financeiro. "Há um custo elevado, um pacote de afazeres que reflete dentro de quadra e é constante a nossa busca por patrocinadores para se poder ter uma estrutura sólida", aponta. Paralelamente a este trabalho na cidade vizinha de Bauru, Max é empreendedor no ramo de produção e venda de equipamentos utilizados nas academias de crossfit e cross training.
COMEÇO
Max Jeferson recorda que no início da carreira teve duas pessoas que foram fundamentais para ele realizar seus sonhos no Esporte. "Meu pai foi meu grande incentivador, ele não está mais entre nós, mas a gratidão é eterna. E além dele, o João Marcondes Ribeiro da Conceição foi o meu mentor. Ele investiu muito na minha carreira, financeiramente, inclusive, com transporte e transferências. Ele era auxiliar do time do Suzano, sempre acreditou no meu potencial e sempre pedia para eu não me deslumbrar", relembra o ex-atleta.
Aos mais jovens, que estão ingressando no voleibol, seja no masculino ou no feminino, ele aconselha que o mais importante é não perder o foco. "Quando começa a alcançar alguns objetivos, vitórias, se destacando individualmente, a tendência é de mudar o alvo, deslumbrar, mas precisa manter o foco para não perder as raízes. Muitos atletas se perdem", acrescenta.
Max começou a carreira no time da Luso Bauru, em 1987, depois defendeu AABB de Brasília, Banespa, Report/Suzano, Frangosul Ginástica, Report/Nipomed/Suzano, Telemig Celular/Unincor (MG), Vasco da Gama, Toyoda Gosei Co (JAP) e NEC Blue Rockets (JAP).
CONQUISTAS
Max Jeferson cita que como atleta ganhou Campeonato Brasileiro, Sul-Americano, Copa América, Liga Mundial e Campeonato Japonês, além de ter sido atleta olímpico. "O que mais me deixou feliz e mais me emocionou foi a Liga Mundial de 1993, que foi em São Paulo, com muita gente na torcida. Minhas maiores alegrias também ocorreram com a minha estreia na seleção, em 1992, e no ano seguinte já era titular", recorda.
APOSENTADORIA
Max Jeferson relata que teve muita dificuldade no início da "aposentadoria" mas soube aproveitar algo que tinha pouco tempo para se dedicar e era ainda mais importante do que o voleibol: a família.
"A transição do profissional para a aposentadoria é difícil porque você precisa equilibrar os seus pensamentos. Quando a gente para, tudo muda da noite para o dia. E você não tem mais que colocar joelheiras, não tem que colocar uniforme, não tem a obrigação de ir para o ginásio. Na parte física o corpo agradece, mas a nossa cabeça, que já estava habituada com a rotina, sofre uma brusca ruptura", destaca Max.
FAMÍLIA
Segundo ele, seu hobby é curtir a família, passear bastante e dar boas risadas "Hoje dou um valor enorme à vida, que você não tem noção. Dei mais valor depois que parei (2006). Hoje estou com 51 anos e a maturidade traz isso. Amo ficar com eles", finaliza o bauruense ícone do vôlei.