Johannesburgo - O avanço da ômicron silenciou as festas de ano-novo em vários países. A boa notícia, porém, vem da África do Sul, onde a nova cepa foi detectada primeiro, em novembro passado. O número de casos diários caiu 30%, na semana que terminou no dia 25, e 44% com relação ao pico, no dia 16 de dezembro. A taxa de internação, que havia caído 91% nos últimos sete dias antes do Natal, está em queda em oito das nove Províncias.
Os dados fortalecem a suspeitas dos cientistas de que a nova variante pode ser mais transmissível, mas talvez seja menos letal. A notícia provocou otimismo em várias partes do mundo. Na Alemanha, o principal infectologista do país, Christian Drosten, disse que espera uma "relativa" normalidade nos próximos meses.
"Em razão da sua alta infecciosidade, a ômicron pode se tornar o primeiro vírus pós-pandemia", disse Drosten ao semanário suíço SonntagsZeitung. "É possível que a nova cepa tenha se disseminado a ponto de iniciar uma fase endêmica". Segundo ele, a transição de uma fase para outra é longa, o que significa que o vírus continuará se espalhando, mas será menos letal. "Não ficaria surpreso se, nos próximos meses, ainda tivermos de usar máscaras em ambientes internos. Mas acho que não teremos mais tanta pressão nos hospitais."
O diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, também expressou otimismo em relação a 2022. "Após dois anos, já conhecemos bem esse vírus", disse ele, em mensagem de ano-novo. "Sabemos como tratar a doença e aumentar as chances de sobrevivência de pessoas. Com todo esse aprendizado, a chance de superarmos a pandemia está ao nosso alcance", afirmou.