Cultura

'A confiança é o oxigênio da sociedade'

Alice Ferraz
| Tempo de leitura: 1 min

"Mudar sua visão sobre a natureza humana, olhar para os humanos de uma forma radicalmente nova, implicará consequências para sua própria vida." Essa foi a frase que deu início à conversa com um dos mais proeminentes pensadores europeus da atualidade. O holandês Rutger Bregman é taxativo ao afirmar que uma mudança de visão sobre a humanidade nos conduzirá a transformar a forma como nos organizamos em sociedade e como democracia e que, obviamente, acarretará mudanças pessoais.

Em seu mais recente livro, o best-seller internacional "Humanidade: Uma História Otimista do Homem", Bregman traz uma visão - em suas palavras, realista - sobre o caráter cooperativo e de confiança do homo sapiens que "nasce para aprender, se relacionar e interagir e que tem no 'corar' a quintessência da socialização". Segundo o autor, corar é uma expressão unicamente humana. "Pessoas coram, e com isso demonstram que se importam com o que as outras pessoas pensam, fomentando assim confiança e socialização."

No final de um dos anos mais desafiadores da década, o historiador chama atenção em nossa conversa para uma das recorrentes pesquisas feitas por sociólogos do World Value Survey a cada ano desde a década de 1950. A pergunta feita é: "em média, você acredita que as pessoas são confiáveis?". Segundo Bregman, não existe nenhum país na Terra com menor número de pessoas que confiam umas nas outras que o Brasil. Na última pesquisa realizada pelo projeto, só 5% dos brasileiros afirmaram poder confiar nas pessoas em comparação aos 70% na Noruega. "A confiança é o oxigênio da sociedade, confiar faz tudo funcionar melhor. Se você não tem confiança, você tem burocracia, mais advogados. Na minha opinião, devemos fazer tudo que pudermos para aumentar o volume de confiança em uma sociedade."

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