Para quem investiu no próprio negócio em 2020, com venda de produtos, não havia outra opção senão o comércio online. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, mais de 150 mil lojas virtuais foram abertas desde o início do isolamento social. Embora o digital tenha se consolidado e mostrado importância, o espaço físico ainda tem seu valor e pode agregar ao crescimento de micro e pequenas empresas.
"O online, por mais que tenha novos entrantes, ainda é uma compra muito mais de recorrência, de algo que a pessoa já tomou decisão. O físico contribui muito com a parte do impulso, da pessoa passar pela loja e comprar. É uma compra de oportunidade", diz Allan Hagemeyer, CEO da Multi.etc e especialista em gestão estratégica de negócios e transformação digital.
Segundo ele, a presença online é como um teste de mercado para validar o negócio, além de ter baixo custo. É nesse espaço que o empreendedor vai conhecer o potencial da marca e reunir dados relevantes - como produto mais vendido e perfil do consumidor - para decidir o próximo passo. "Quando tiver maturação dos dados, das informações, é um bom momento para entrar no físico para somar com o digital, pois são canais complementares", ressalta.
Hagemeyer afirma que, falando de varejo, o crescimento de uma marca deve alcançar o potencial máximo com a presença física, algo que os donos da Caritó Padaria Artesanal vêm sentindo nos últimos meses. O casal Gabriel Rodrigues e Gabriel Dias inaugurou a loja na Bela Vista em julho, um ano após iniciar o negócio de forma online em 2020. Desde então, o faturamento triplicou.
"A loja conseguiu aumentar as pessoas que são impactadas, pessoas mais velhas que não comprariam pela internet. E como estamos na região da Paulista, é fácil entrar no roteiro das pessoas", afirma Rodrigues. "Também trouxe comodidade aos clientes. Antes, a gente trabalhava com encomendas, agora abriu loja em aplicativo, viu como funciona, tem mais agilidade", completa Dias. E as entregas, que ocorriam duas vezes na semana, passaram para cinco.
Ter um estabelecimento gastronômico era um sonho antigo deles, mas não imaginavam que aconteceria logo. Foram poucos meses entre começar a cozinhar em casa para consumo próprio até entender que poderia virar um negócio. O estalo veio da demanda de amigos que queriam provar os pães que publicavam nas redes sociais.
Após começar a vender, a cozinha de casa tornou-se pequena para a grande quantidade de pedidos. Foi quando decidiram alugar uma casa, mas ainda sem o pensamento da loja. "A ideia era continuar online, mas as pessoas pediam mais para pronta entrega", conta Rodrigues. Dias comenta que eles fizeram uma transição segura, onde o local, um sobrado, serviria para morar também, e logo o dono do imóvel sugeriu que ali poderia ter um espaço de vendas.