No cinema, o gênero do terror estava estagnado quando o diretor Wes Craven lançou "Pânico", em 1996. Na década de 1980, o chamado "slasher" - filmes violentos em que um assassino persegue e mata adolescentes libidinosos - havia explodido. Depois de inúmeras sequências e imitações baratas de "Halloween", "Sexta-Feira 13" e "A Hora do Pesadelo", Craven se voltou ao pós-moderno.
Repleto de referências e piadas internas, "Pânico" inovou por ser um filme de terror com consciência de si mesmo. Com roteiro de Kevin Williamson, Craven abordou os tropos narrativos do gênero e de sua obra pregressa - há uma brevíssima participação do diretor vestido com o suéter vermelho e verde de Freddy Krueger, seu próprio bicho-papão.
Em pouco mais de 25 anos, o terror já foi reinventado diversas vezes, seja pelo sanguinolento "torture porn", pelo estilo documental do "found footage" ou pela temática racial de Jordan Peele. De volta aos cinemas, mas sem o roteiro afiado de Williamson ou a direção metalinguística de Craven, pode "Pânico" ditar a tendência mais uma vez?
Nesse "Pânico", de 2022 (que também está sendo chamado de "Pânico 5", em continuidade aos títulos originais), dirigido por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett um novo assassino se apropria da máscara fantasmagórica. Junto de Courteney Cox como Gale Weathers e David Arquette como Dewey Riley, Campbell retorna ao papel da atormentada Sidney Prescott.
Há também um novo elenco de jovens para aumentar a lista de suspeitos e, ao mesmo tempo, crescer a contagem de corpos. Entre eles, Melissa Barrera, destaque do musical "Em um Bairro de Nova York" e Jack Quaid, da série "The Boys", além de Jenna Ortega, Dylan Minnette, Jasmin Savoy Brown, Sonia Ammar, Mikey Madison e Mason Gooding.
Como não poderia faltar, "Pânico" faz referência ao fenômeno do "terror elevado" ou "pós-terror" já nos primeiros minutos, lembrando títulos como "O Babadook", "Hereditário" e "A Bruxa" - obras em que o gênero serve de veículo para tratar de temas complexos, em vez de simplesmente provocar sustos. Um spoiler - Ghostface não gosta desses filmes.
Numa cena bastante autorreferente, os roteiristas James Vanderbilt e Guy Busick também abordam o conceito de "requel", uma mistura de "reboot" e "sequel" - isto é, uma sequência que busca retomar elementos do original para dar nova vida à franquia, mas sem constituir uma refilmagem ou uma continuação linear do enredo.