Economia & Negócios

Espaço vira nova fronteira econômica

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

O espaço sideral é a nova fronteira do mundo da tecnologia. Após o sucesso das viagens espaciais de Jeff Bezos (Blue Origin) e Richard Branson (Virgin Galactic) e do primeiro voo com civis da SpaceX, de Elon Musk, começa a florescer um ecossistema de startups e companhias focadas em tecnologia espacial - um nicho que durante décadas ficou concentrado nas mãos de agências públicas, mas que agora começa a entrar na órbita do setor privado. Parte das spacetechs, nome dado a essas empresas, foi visto neste mês na Consumer Electronics Show (CES), principal feira de tecnologia do mundo, que voltou a uma edição presencial após hiato pandêmico em 2021.

A Sierra Space foi o principal nome em exibição neste ano. Focada no que chama de "nova economia espacial", a companhia expôs ao público a Dream Chaser, espaçonave reutilizável de nove metros de comprimento projetada para levar pessoas e cargas a destinos de baixa órbita terrestre, como estações espaciais. A Sierra, braço independente da Sierra Nevada Corporation (SNC), já possui um contrato com a Nasa para transportar alimentos e experimentos científicos, com previsão de entrar em operação em janeiro de 2023.

A empresa também desenvolve o LIFE, acrônimo para "ambiente integrado flexível", que tem como com objetivo de permitir que astronautas possam permanecer em baixa órbita por dias, semanas ou meses, a depender do objetivo. Como se fosse uma casa com vista para a Terra, o projeto (de 8 metros de diâmetro, três andares e capacidade para até 12 pessoas) tem quartos, áreas de exercícios e até uma horta.

"Estamos aqui na CES para dizer ao mundo que o espaço está disponível para todos", afirma Kenneth Shields, diretor do programa de utilização espacial da Sierra, ao jornal O Estado de S. Paulo.

A spacetech diz que tem como principal serviço o "space as a service", jargão do mundo da tecnologia para dizer que a companhia provê soluções espaciais, sem que terceiros tenham de adquirir um bem. Nesse caso, isso significa que uma pessoa não precisa ter um foguete para dar uma voltinha à Terra, mas que pode contratar o serviço separadamente.

A Sierra não é a única empresa "de outro mundo" na feira. Quem apareceu também foi Zero G, que usa um avião Boeing 727-200 modificado para levar passageiros à gravidade zero. A façanha é feita ao colocar a aeronave para voar parabolicamente (como se fosse uma montanha-russa, com subidas e descidas controladas), o que permite que os passageiros possam flutuar e dar cambalhotas em peso zero por até 30 segundos - no total, são 15 manobras.

A euforia também está levando nomes tradicionais da tecnologia a olharem o espaço com mais carinho - ainda que não façam isso por meio de foguetes e trajes espaciais. A Sony, que durante a CES anunciou a entrada no ramo de mobilidade, expôs o protótipo do Starsphere, um satélite de baixa órbita que traz uma câmera para usuários, aqui da Terra, operarem e tirarem fotos do Planeta azul e das estrelas.

Já Amazon, 'irmã' mais velha da Blue Origin, anunciou que a inteligência artificial (IA) Alexa deve ir para a Lua, o que permitirá testar como essas assistentes virtuais podem ajudar tripulações em viagens fora de órbita.

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