Tribuna do Leitor

Nenhum direito a menos

Ariani Queiroz de Sá - Cadeirante e usuária do transporte público municipal
| Tempo de leitura: 3 min

Nenhum direito a menos! Essa frase é bem conhecida, já que estamos vivenciando o desmonte de muitos dos nossos direitos como cidadão, e isso está se sucedendo nas esferas federais, estaduais e municipais. Nesta semana, a polêmica na imprensa bauruense foi gigante, estão querendo arrochar o bolso dos usuários do transporte coletivo municipal com o aumento da passagem de R$ 4,20 para R$ 4,85. Mas o pior ainda está por vir para uma parcela dos munícipes bauruenses com deficiência. Talvez não seja do conhecimento de todos os bauruenses e leitores deste conceituado jornal, mas existe o transporte alternativo para pessoas com deficiência que opera com o sistema de 4 vans com agendamento prévio, que faz o transporte especificamente de cadeirantes. Esse tipo de transporte tem previsão no contrato de concessão com as empresas de ônibus que hoje servem a cidade de Bauru.

Quando começou a pandemia da covid-19, esse tipo de transporte diminuiu a oferta de 4 vans, passando a operar com apenas duas vans. Como diminuíram também a oferta de ônibus em várias linhas, foi até compreensível uma vez que as Organizações Sociais que atendem as pessoas com deficiência, na área da saúde e reabilitação, também tiveram suas atividades suspensas, assim como a maioria do comércio, escolas, alguns tipos de trabalho e serviços também tiveram suas rotinas alteradas, mas com a vacinação e a vida voltando quase à normalidade, as linhas de ônibus voltaram a operar integralmente, o comércio reabriu as portas, as escolas voltaram com as aulas, porém, o sistema de transporte especial das vans que facilita a vida de 200 e poucos usuários inscritos e ativos sistema de agendamento da Emdurb estão tendo seu direito usurpado, porque as vans não voltaram a operar em sua totalidade, continuam rodando apenas duas vans, o que não é suficiente para atender a quantidade de usuários. E também os agendamentos estão restritos apenas para atendimentos de saúde, de trabalho, ida a instituições bancárias e cartórios, sendo que o decreto municipal 10.708/2008 prevê o agendamento prioritário para atendimento de saúde, ficando os horários remanescentes para outras finalidades, como trabalho, escola, lazer e outros. Nós, pessoas com deficiência, temos direito ao trabalho, a escola, ao lazer, a cultivar nossa fé indo a igrejas e templos religiosos, não necessitamos apenas de tratamento de saúde. O nosso direito a esse transporte alternativo e diferenciado está sendo ameaçado, hoje só duas vans estão operando, mas a proposta da empresa em manter esse transporte alternativo está condicionada com o aumento da passagem de ônibus, sob a justificativa que as 4 vans geram uma grande despesa para as empresas que não têm aumento nos lucros desde 2019, e também alegam que a frota de ônibus em nossa cidade é adaptada, em todos os ônibus existe sim a plataforma elevatória, mas que muitas vezes são inoperantes, e também existe falta de acessibilidade para chegar até o ponto de ônibus, a acessibilidade nas calçadas em Bauru não existe.

Para tanto, pedimos às autoridades municipais instituídas, inclusive com nosso voto, sim porque nós, pessoas com deficiência, também somos eleitores, pedimos um olhar mais empático sobre essa problemática, uma vez que não podemos aceitar calados nenhum direito a menos!

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