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Semelhanças e diferenças

Arnaldo Pinzan
| Tempo de leitura: 2 min

Por escolha, e atraído pela biologia, mesmo no tempo que estudei no ginásio comercial Álvares Penteado e posteriormente formado em contabilidade (numa inteligente orientação de papai, que sugeriu esses cursos profissionalizantes na época, pois optar pelo ensino clássico ou científico, e se não conseguisse adentrar numa faculdade, teria uma profissão). Fiz o curso de Odontologia na FOB-USP, entre 1971-1974. Primeira turma ingressada pelo concorrido vestibular do Cescem. Prossegui na carreira universitária nessa instituição e aposentei em 2019. No primeiro ano de estudo, como na Medicina, temos aulas de anatomia geral, e ênfase a anatomia dentária. Estudamos os corpos masculino e feminino nas suas semelhanças e diferenças.

Minha linha de pesquisa pautou-se em comparar radiografias cientificamente padronizadas, obtidas lateralmente e em modelos de gesso dos arcos dentários. Os grupos estudados foram jovens portadores de bom perfil facial e dentes perfeitamente em seus respectivos arcos, ou "quase" perfeitos que dispensariam tratamento ortodôntico. Os indivíduos masculinos e femininos pertenciam a parâmetros escolhidos de representativos da maioria dos habitantes dessa região. A origem de seus pais foram também fatores de inclusão. Estudei pessoalmente e orientando pós-graduandos, grupos de leucodermas (indivíduos de pele branca, filhos de pais descendentes de portugueses, espanhóis e italianos); melanodermas (indivíduos de pele preta, com os pais oriundos dos Bantos, que habitam a costa africana, grupo que predominou na imigração).

Jovens feodermas (mestiços mulatos, que seus pais pertenciam à mesma descrição daqueles leucodermas e melanodermas) . Jovens xantodermas (japoneses, pele amarela, filhos de pais imigrantes do Japão, exceto daqueles que vieram da ilha de Okinawa). E jovens xanto-leucodermas (designados nipobrasileiros, mestiços com pais que apresentavam as mesmas características de origem, já descritas).

Como esperado, os resultados para algumas observações comparativas eram semelhantes e outras diferentes, conclusões apoiadas em testes estatísticos.

O objetivo foi reconhecer e obedecer às características faciais que mais predominam ao grupo em que se identifica. Um exemplo: a medida da média da posição do incisivo inferior, relacionando a maxila e a mandíbula, nos leucodermas é de 0 a -2mm e no grupo melanodermas a média foi de -7mm. Em resumo, meio centímetro que precisa ser respeitado. Quando observa-se no quadro de medidas de cada variável, que no mesmo grupo temos variações entre os seus próprios pares, tanto para masculino e feminino, ou seja diferenças intragrupos. A comparação intergrupos também demonstrou semelhanças e diferenças, algumas delas importantes para o planejamento do tratamento.

Ao andar pelas ruas, nós, indivíduos do gênero humano, vemos que todos possuem características corporais semelhantes, mas suas faces são diferentes, e que hoje são utilizadas nas identificações por imagens faciais.

O processo de fertilização, gravidez, nascimento, crescimento abrangendo todo os ciclos até atingir a maturidade, o processo de envelhecimento e finalizando com enigmática morte, ocorre para todos. Tendo respeito a todos os credos religiosos, e sendo católico, me pergunto sempre: que cor tem a alma?

O autor é professor sênior da FOB-USP.

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