Com a nova onda de Covid-19 e também diante dos muitos casos de gripe, os bancos de sangue de Bauru têm sofrido com o "sumiço" de doadores. O Hemonúcleo do Hospital de Base de Bauru, por exemplo, teve uma queda de 50%. Já o Hemovida registrou, ao longo de toda esta semana, a presença de, no máximo, seis doadores por dia, quando o normal são aproximadamente 30.
A unidade do Hospital de Base informa que, em média, tem 60 doadores diários. Durante a pandemia de Covid-19, as campanhas de busca ativa conseguiram manter 50 doadores por dia. Na semana passada, contudo, esse número caiu em 40% e, agora, a queda chegou a 50%.
"Estamos preocupados porque as cirurgias não param, os pacientes que necessitam de uma bolsa de sangue não podem esperar. E, se o número de doadores continuar caindo, o reflexo em nosso estoque de sangue será drástico", explica a assistente social Valéria Coltri, que trabalha há 26 anos no Hemonúcleo e conta que, nesse tempo todo, somente viu queda tão acentuada no início da pandemia, em 2020.
A equipe do Hemonúcleo faz ligações rotineiras aos doadores e a principal justificativa que tem recebido é de que estão gripados ou com Covid-19. "Compreendemos a situação atual e fazemos um apelo para as pessoas que estão com a saúde em dia: venham doar sangue, pois há pacientes que dependem desse gesto", pede Valéria.
Em Bauru, o Hemonúcleo atende o Hospital de Base, Maternidade Santa Isabel, Hospital Estadual, Centrinho/USP, Lauro de Souza Lima, UPAs e Pronto-Socorro Central. Também presta atendimento, na região, para Pederneiras, Agudos, Macatuba, Arealva, Pirajuí, Piratininga, Iacanga, Duartina e Lençóis Paulista.
PARTICULARES
Já o banco de sangue Hemovida, que atende os três hospitais particulares de Bauru, diz que o movimento diário caiu de 30 para, no máximo, seis doadores por dia. Para se ter ideia, na última quarta-feira (19), apenas três doadores compareceram à unidade ao longo de todo o expediente.
"Pessoas que estavam agendadas nos telefonaram cancelando a doação, por estarem gripadas ou por serem contactantes de infectados com a Covid-19", comenta a médica Claudia Assato, coordenadora da unidade.
Ela explica que a situação do estoque ainda não atingiu o nível crítico, mas, com a queda nas doações, a previsão é de que isso ocorra já a partir da próxima semana. "A demanda é alta e o que tem entrado de bolsas é pouco. Precisamos abastecer três hospitais, sendo seis UTIs, cinco Pronto Atendimentos, três unidades de Covid-19, três maternidades e os centros cirúrgicos", elenca a médica, em tom de preocupação.