O projeto bauruense "Há de flor... e Ser", idealizado pela juíza Daniele Mendes de Melo, recebeu menção honrosa na 1.ª edição do Prêmio #Rompa, promovido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O reconhecimento levou em conta a importância da iniciativa, que realiza ações com mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, reunindo-as em tarefas que proporcionem desenvolvimento do bem-estar físico, psíquico e social, como ferramenta de proteção e enfrentamento desses problemas.
De acordo com a magistrada, o objetivo do projeto, iniciado em dezembro de 2019, é o resgate da autoestima da mulher que foi vítima de qualquer tipo de violência, além da conscientização de seus direitos, considerando sua condição de vulnerabilidade. As principais atividades são: atendimento psicológico, aulas de ioga e de dança, e círculo de mulheres. Outras tarefas que atendam ao objetivo do "Há de flor... e Ser" podem vir a ser incorporadas no futuro.
As atividades, ainda segundo a juíza, foram pensadas como um meio facilitador para a adesão das mulheres à atividade de psicoterapia, integrada ao programa. A ideia é proporcionar a escuta ativa da vítima (círculo de mulheres), o fortalecimento da sua autoestima e empoderamento para que venha a romper o ciclo de violência.
PRÊMIO
E o propósito do Prêmio #Rompa é justamente identificar e disseminar práticas de combate à violência de gênero que estejam em andamento no Estado, sejam elas ações de prevenção, de acolhimento, de atendimento a vítimas ou iniciativas para evitar a reincidência de crimes, já que o Brasil é o quinto país no mundo no qual mais mulheres são mortas, segundo a ONU. A primeira edição do evento foi realizada presencialmente no Palácio da Justiça, sede do Poder Judiciário paulista, no último mês.
"A premiação traz um reconhecimento da necessidade do envolvimento da sociedade para por fim à desigualdade de gênero. Para o grupo de profissionais que atuam no projeto, [a menção] é um estímulo à sua retomada", celebra magistrada.
No momento, as atividades do "Há de flor... e Ser" estão paralisadas por conta da pandemia, já que todo o trabalho é presencial. Contudo, a intenção é a retomada assim que o contexto permitir.
ANEXO DA VIOLÊNCIA
Além de idealizadora do projeto, a juíza Daniele Mendes de Melo também é coordenadora do Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Bauru. Fundado em 2018, o órgão visa criar mecanismos para coibir, prevenir, punir e erradicar a violência doméstica e familiar, além de eliminar todas as formas de discriminação contra as mulheres por meio da especialização e tratamento adequado e ágil das ações dessa competência.
"Na pandemia, o setor psicossocial do Anexo deu início a um atendimento particularizado àquelas mulheres que postularam e obtiveram medida protetiva de urgência. Passamos a manter contato mensal com todas as mulheres para dar um encaminhamento mais personalizado, de acordo com suas necessidades", conclui a coordenadora.