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Violência, falta de prato do dia

Dulce Marli Kernbeis
| Tempo de leitura: 1 min

Não é necessário ser vidente para constatar que a violência descambou neste Brasil, país varonil. Seja aquela cruel, matança mesmo, chacina. Seja a mais simplesinha como a de pequenos roubos, ou seriam furtos (confesso: sempre confundo, me socorram nobres causídicos)?

O crescente da violência afeta todos nós. Ela, essa dona violência imunda, está na nossa cara. Está aqui em Bauru, bem no meu bairro. Está ali ao lado. Manifestada nos relacionamentos entre cidadãos comuns, pais e filhos, mães e filhas, marido e mulher, irmãos, amigos. Ela está ali a nos espreitar: no trânsito, na rua, nos clubes, nos bares, no lar.

Mas queria alertar para a violência decorrente da falta de prato do dia. Houve um tempo em que cada casa tinha um arroz e feijão a oferecer. Ou um pão com a famosa "mortandela". Antes que ela virasse coisa fina e de gourmet. Contra essa violência, a da mendicância, estamos sempre de espírito armado. Ouso dizer que o que vemos é um ser humano acuado diante dela. E muitas das nossas relações com os mais pobres, com os pedintes, estão sendo afetadas pelo medo. Deles, engolimos sapo todos os dias, vidros de carros mal lavados, né não? E mais do que isso: baixamos a cabeça diante da miséria. Não damos um riso, uma palavra, para quem está sob o ronco vazio do estômago.

Ah, 'é preciso integrar o indivíduo à sociedade', dirão. Concordo. Mas como?

Com trabalho, ofertas de estudo e depois emprego, com realizações pessoais, com oportunidades, para que cada um possa escolher seu caminho. E daí, se quiser ficar na rua da amargura, serão outros quinhentos.

Até lá ofertemos o pão porque com a barriga cheia sempre se raciocina melhor.

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