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Sim! Existe algo pior que TPM: TDPM

Francine Matos
| Tempo de leitura: 2 min

Desde 2600 A.C já há relatos sobre a alteração do comportamento feminino relacionada a alterações hormonais do período menstrual. Contudo, independente de em que momento histórico aconteça, sabemos que esse período pelo qual a mulher mensalmente passa pode trazer sofrimento há milhões de mulheres em idade reprodutiva por conta dos sintomas emocionais cognitivos e físicos relacionados à menstruação.

Diferente da TPM (Tensão Pré Menstrual), que gera sintomas psíquicos e somáticos que já são bem típicos e conhecidos, há uma condição ainda pouco divulgada, o chamado TDPM, ou Transtorno Disfórico Pré Menstrual, que pode ter um efeito devastador na vida da mulher, da sua família e nas suas relações sociais e de trabalho.

O TDPM é um transtorno psiquiátrico que faz parte do grupo dos Transtornos Depressivos, visto que parece haver alterações em neurotransmissores cerebrais, como serotonina e dopamina, que seriam responsáveis por alterações de humor mais importantes que os da TPM, o que teria maior correlação com a gravidade dos déficits no funcionamento social, profissional e familiar, podendo gerar um grande desequilíbrio nas relações e prejuízos mais acentuados. Há fatores de risco para o desenvolvimento de TDPM e sabe-se que os sintomas afetivos da depressão e da bipolaridade tendem a ficar mais intensos quando coexistem com o TDPM.

Os sintomas, na maioria dos ciclos, devem se iniciar na semana final antes do início da menstruação, começar a melhorar poucos dias depois da menstruação e ficarem mínimos ou sumirem com o final do ciclo. E o que seriam os sintomas de TDPM? Seriam pelo menos 5 sintomas de uma lista que incluem: labilidade afetiva acentuada, irritabilidade ou raiva ou aumento de conflitos interpessoais, humor deprimido, desesperança, pensamentos auto depreciativos, ansiedade, sensação de estar no limite, interesse diminuído pelas atividades habituais, alteração de concentração, fadiga fácil, comer demais ou ficar ávida por certos alimentos, alteração sono, sentir-se sobrecarregada ou fora do controle, inchaço, dores no corpo, por exemplo. Esses sintomas causam sofrimento e interferem nas atividades da vida diária e não são somente exacerbação de sintomas de doenças já existente.

O tratamento deve ser feito em conjunto com o psiquiatra e com o ginecologista, já que podem ser usados antidepressivos e ansiolíticos tão como terapia hormonal para a amenização dos sintomas. O importante é o reconhecimento do transtorno para a qualidade de vida seja restituída e para que os prejuízos na vida da mulher sejam minimizados.

 A autora é psiquiatra @drfrancinematos

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