Lençóis Paulista - O Ministério da Saúde confirmou a análise realizada pelo Governo do Estado e disse nesta sexta-feira (21) que está descartada relação entre a vacinação contra a Covid-19 e a parada cardíaca sofrida por uma menina de 10 anos, moradora de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). A suspeita de reação levou a prefeitura a suspender a imunização infantil contra a doença na cidade por sete dias (leia abaixo).
"O evento adverso pós-vacinação foi descartado", declarou o ministério. "A síndrome de Wolff-Parkinson-White, até então não diagnosticada e desconhecida pela família, levou a criança a ter uma crise de taquicardia, que resultou em instabilidade hemodinâmica".
Conforme divulgado ontem pelo JC, os ministros Marcelo Queiroga (Saúde) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) visitaram a criança no Hospital da Unimed de Botucatu nesta quinta-feira (20). Antes, o presidente Jair Bolsonaro (PL) já tinha telefonado para a família.
No Twitter, mesmo depois de o governo paulista ter concluído que a reação estava ligada à doença congênita rara, Damares afirmou que teve um encontro com a criança "hospitalizada após suspeita de parada cardíaca no mesmo dia em que recebeu a vacina contra Covid".
Queiroga curtiu a publicação de Damares. Ambos não informaram que a relação com a vacina já estava descartada.
A ministra avalia disputar o Senado em São Paulo ou no Amapá. Já Queiroga tem dito a aliados que não deve se candidatar. Em nota, o Ministério da Saúde disse que "a vacinação é segura e foi autorizada pela Anvisa."
"O Ministério da Saúde segue monitorando a ocorrência dos eventos adversos pós vacinação em parceria com secretarias municipais e estaduais de saúde", informou.
RELEMBRE O CASO
A menina de 10 anos, que tem asma, recebeu o imunizante da Pfizer, indicado para a sua faixa etária, na terça-feira (18). Cerca de 12 horas depois, começou a apresentar sintomas que evoluíram para parada cardiorrespiratória. Levada a uma unidade de saúde particular, foi reanimada e transferida para a UTI no Hospital da Unimed de Botucatu, onde permaneceu internada.
Um ponto que chamou a atenção dos especialistas que analisaram a suspeita de reação foi o curto intervalo entre a imunização e o início dos sintomas. O tempo decorrido não sustentaria a hipótese de uma miocardite desencadeada pela vacinação, segundo a avaliação do grupo.
A investigação do caso foi conduzida de forma conjunta pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde e pelos Grupos de Vigilância Epidemiológica de Botucatu e de Bauru, além do município de Lençóis Paulista.
Técnicos do governo federal afirmam que o caso poderia ser levado ao comitê de farmacovigilância comandado pelo Ministério da Saúde, mas que a análise do governo paulista não deixou dúvidas.
O diagnóstico revelou uma pré-excitação no eletrocardiograma da criança, o que, segundo a Secretaria, é uma característica da síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW).
"Esta é uma condição congênita que leva o coração a ter crises de taquicardia. Algumas destas crises podem ter frequência muito alta, levando até a síncope ou mesmo morte súbita", explicou a pasta em nota.
Ontem à tarde, o pai da criança informou à reportagem que a filha seguiu para um hospital particular em Bauru para realizar uma ressonância magnética. Porém, em razão de um desconforto gerado pela viagem, a equipe médica decidiu adiar o exame para segunda. Segundo ele, a menina segue internada, com quadro estável, e os exames são necessários para fechar o diagnóstico da doença congênita.
SUSPENSA
Apesar da investigação ter descartado a reação à vacina, a Prefeitura de Lençóis Paulista informou que a aplicação das doses contra Covid, em livre demanda, para crianças entre 5 e 11 anos com comorbidade e deficiência permanente segue suspensa e só será retomada na próxima terça-feira (25). A imunização na segunda (24) pode ser agendada por interessados na Central de Saúde pelo 0800 2691 120.