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Aluno de escola pública é aprovado de primeira no CTI e também na Etec

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

As lágrimas da mãe, do pai e do filho traduzem os sentimentos de alívio e vitória de toda a família. Bruno Gazola de Medeiros, 14 anos, aluno da rede pública, foi aprovado, de primeira, nos vestibulinhos do Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp e da Escola Técnica Estadual (Etec) Rodrigues de Abreu, ambos em Bauru. Foram 19 meses intensos de muito estudo e foco, que exigiram grande entrega de todos.

"Quando vimos o resultado, era eu chorando no trabalho, ele (o filho) em casa e o marido no serviço", emociona-se a mãe, Marcia Gazola, 39 anos, enfermeira. "Foi um orgulho muito grande, comemoramos demais", revela o pai, Neilson Moura de Medeiros, 51 anos, frentista.

Morador da região do Jd. Vânia Maria, o jovem estuda na Escola Estadual Francisco Antunes e, desde maio de 2020, ainda no 8.º ano, passou a se dedicar intensamente ao sonho de cursar um colégio técnico em alguma das instituições mais concorridas de Bauru. Como é aluno de escola pública, ingressou através do sistema de cotas.

Agora, com duas ótimas opções, Bruno já se decidiu: vai cursar Mecânica no CTI. "Sempre quis estudar lá. Fiquei muito feliz, me senti realizado e orgulhoso. Sou muito grato aos professores e à minha família".

REFORÇO VOLUNTÁRIO

O crédito dado aos docentes refere-se não só às aulas regulares, mas também à iniciativa de profissionais que se uniram para oferecer atividades de reforço aos candidatos, de forma totalmente voluntária. "Começou como um pequeno grupo no WhatsApp no final de 2020, para oferecer mais material de estudos, mas tomou uma grande proporção e tivemos muita adesão", conta a professora de matemática Renata D'Acol Cardozo, idealizadora da ação.

A convite dos Medeiros, a docente foi até a casa da família para conversar com a reportagem do JC. "Marcávamos horários, geralmente à noite, para as aulas ao vivo, online. Eu considero a iniciativa um sucesso, porque não foi coisa que divulgamos muito e tivemos bastante adesão", explica a professora. "E o Bruno estava em todas as aulas", complementa a mãe.

EDUCAÇÃO TRANSFORMA

O jovem também encontrou, dentro de casa, grande motivação e um exemplo do poder da educação. Atualmente, a mãe de Bruno faz residência em Enfermagem. Mesmo após longas jornadas e plantões extenuantes, encontra forças para encarar os trabalhos acadêmicos e, ainda por cima, ajudar o filho. "Eu assistia às aulas com ele para podermos estudar juntos depois. Só depois disso que eu ia para minhas atividades", conta Marcia.

Antes da graduação, ela trabalhou como auxiliar de limpeza e porteira. Em 2016, o casal resolveu que era hora de um deles voltar a estudar, para melhorar a condição da família. Em decisão de comum acordo, ela encarou a empreitada acadêmica, enquanto o marido "segurava as pontas" no trabalho. Hoje, com a bolsa de estudos pela residência, conseguiram aliviar a situação. "Foi o que nos salvou de dois anos para cá. Antes, estava muito difícil", revela Marcia.

 

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