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Procon alerta para provável novo e aprimorado golpe do consignado

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 3 min

O Procon de Bauru está em alerta para um provável novo tipo de golpe no crédito consignado, que chama a atenção pela sofisticação e pela alta possibilidade de fazer mais vítimas. Segundo o órgão de defesa do consumidor, um banco teria solicitado uma foto da correntista a fim de usá-la, inicialmente, para autorizar o estorno de anuidade do cartão. Porém, teria utilizado a mesma imagem como uma espécie de assinatura eletrônica para validar um contrato de crédito consignado no valor de R$ 56 mil, o qual a vítima alega jamais ter solicitado. Prejudicada, a mulher abriu uma reclamação e aguarda um desfecho.

A vítima, que prefere não se identificar, é professora doutora na USP. Ela conta ter sido procurada por telefone a respeito da possibilidade de cancelar a cobrança da anuidade do cartão de crédito. A ligação seria do banco no qual ela é correntista. "Eu desconhecia essa cobrança do cartão, porque era descontada diretamente do meu INSS. Então, aceitei fazer o cancelamento", relata a mulher.

Para "formalizar" o procedimento, o operador pediu para ela preencher dados pelo WhatsApp e enviar uma foto. No entanto, dias depois, a professora recebeu R$ 56 mil na conta dela a título de crédito consignado, valor o qual ela alega sequer ter sido consultada. E a anuidade do cartão ainda continuou sendo cobrada.

A correntista abriu uma reclamação no Procon. Segundo o órgão, a instituição financeira teria usado os dados para anuir o empréstimo que não fora solicitado. Já a foto teria sido utilizada como uma espécie de assinatura eletrônica, como se ela tivesse mandado a imagem para comprovar que aceitava o contrato do consignado.

"Nós notificamos o banco para que traga informações das operações, tanto do cartão quanto do contrato de crédito consignado. Em posse dessa resposta, vamos ver quem fez e, se for o caso, vamos representar ao Ministério Público, porque há indícios de crime de fraude", explica Fernanda Pegoraro, coordenadora do Procon em Bauru. "Neste caso, é uma vítima com escolaridade alta e, mesmo assim, foi enganada. Nossa preocupação é ainda maior com pessoas menos instruídas, mais vulneráveis", complementa.

Ainda segundo Pegoraro, nessas situações, a orientação mais importante é não enviar imagem alguma para as instituições financeiras. "Tornou-se comum os bancos pedirem selfies do cliente com o contrato do crédito consignado para provar que ele realmente assinou. A princípio, parecia ser uma ferramenta para dar credibilidade ao contrato, mas observamos que são mecanismos falhos".

Diante da situação, além de nunca enviar fotos, a outra dica é bloquear o crédito consignado através do Meu INSS (leia mais abaixo).

IMBRÓGLIO

A vítima desse suposto novo golpe conta ter tentado mais um contato com o banco para devolver o dinheiro fruto do empréstimo não solicitado. "Eles me mandaram um boleto em um valor maior do que o do empréstimo e de um outro banco. Achei muito estranho. Além disso, mais de uma pessoa entrou em contato comigo. Não movimentei o dinheiro, está parado na minha conta", comenta. Contando as taxas de juros, o empréstimo custaria R$ 130 mil à professora ao fim do contrato.

"A orientação foi para ela não pagar nada até termos certeza de que esse boleto ou essa forma é oficial e não vai prejudicá-la novamente", conclui a coordenadora do Procon.

 

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