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46 pacientes com Covid estão na fila por leitos de enfermaria na cidade

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

O aumento vertiginoso dos casos de Covid-19 em Bauru tem pressionado não só a demanda por UTIs, mas também por mais enfermarias hospitalares. É o que mostram os números divulgados pela prefeitura. Nesta terça-feira (25), 46 pacientes com o coronavírus aguardavam em UPAs ou no Pronto-Socorro Central (PSC) por vagas de leitos clínicos. São pessoas que têm esperado, em média, quatro dias para conseguir acesso ao atendimento e retaguarda que só a estrutura mais complexa dos hospitais pode oferecer.

Maria Elisa Patrício, de 67 anos, integra essa lista. Ela aguarda vaga para enfermaria desde a manhã de ontem (25). Com Alzheimer avançado e Covid-19, a idosa espera pela transferência na companhia da filha, Stephanie Patrício, de 31 anos, na UPA Bela Vista.

"Ela tem a saúde debilitada e precisa de um respaldo maior. Está no oxigênio, mas com bastante secreção. Como eles não aspiram pacientes aqui, a única coisa que me deram foi uma luva para que eu mesma ajudasse minha mãe, mas eu não sou profissional da saúde. Ela precisa de um atendimento adequado para não piorar", comenta a filha.

A lotação da unidade também tem assustado. "São oito pacientes em uma mesma sala, não tem isolamento algum. E eu tenho asma e bronquite", completa Stephanie.

'MINI-HOSPITAL'

Ainda ontem, além da fila por enfermarias, outras nove pessoas aguardavam nas mesmas condições, ou seja, em UPAs ou no PS Central, por leitos de UTI (leia mais ao lado). A média de espera nesses casos tem sido de seis dias, conforme o JC noticiou na edição desta terça.

Em busca de soluções para absorver a crescente demanda, a prefeitura deve recrutar profissionais ainda nesta semana, por meio de um contrato emergencial com uma associação hospitalar de Lins, visando a reabertura de leitos de enfermaria no "mini-hospital", denominação dada ao serviço que aglutina o Pronto-Socorro Central (PSC) e o Posto Avançado Covid-19 (PAC).

A expectativa é de colocar a unidade para funcionar ainda nesta semana, contudo, não há uma data oficial definida para abertura. Como já noticiado pelo JC, a estrutura deve contar com nove leitos de enfermaria para internação de pacientes com Covid-19. Não há previsão de UTIs no local, por enquanto.

ESTRUTURA LIMITADA

A estrutura atual da cidade para o enfrentamento da Covid-19 é limitada. Hoje, o município conta com 20 enfermarias e dez UTIs no hospital de campanha instalado no prédio do Hospital das Clínicas (HC) da USP de Bauru. Esta é a única unidade do município referência para a doença.

Há leitos também no Hospital Estadual (HE), mas o local não é mais específico para casos da Covid-19 na cidade, porque houve a desmobilização dos leitos pelo Estado. A Unidade de Cuidados Respiratórios (UCR) do nosocômio tem atendido somente pacientes que já estavam internados no próprio hospital e que passaram a apresentar sintomas gripais. Lá, são nove UTIs e 19 enfermarias.

DESCOMPASSO

Apesar da fila de espera de 46 pacientes na rede municipal por leitos clínicos, o Estado informou, no fim da tarde de ontem, que a enfermaria do hospital de campanha do HC não estava completamente ocupada. Por lá, 89% dos leitos possuíam pacientes, ou seja, havia dois disponíveis. Já as dez UTIs na unidade continuavam completamente ocupadas, repetindo o cenário das últimas duas semanas.

Na enfermaria da UCR do HE, 10 dos 19 leitos clínicos estavam ocupados por pacientes nesta terça, sendo que alguns deles positivaram para a Covid-19 e outros seguiam com a suspeita da doença. Já na terapia intensiva da unidade, os nove leitos estavam ocupados na data, mesmo cenário de lotação que tem persistido por cerca de duas semanas.

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