O presidente da Fifa, Gianni Infantino, ligou a possibilidade de a Copa do Mundo ser realizada a cada dois anos à diminuição do problema dos refugiados da África. Em discurso ao Conselho da Europa, o dirigente disse que a reforma no calendário do futebol pode ter um efeito humanitário positivo
"Precisamos encontrar maneiras de incluir o mundo todo e dar esperança aos africanos para que eles não tenham que cruzar o Mediterrâneo para encontrar uma vida melhor, mas, mais provavelmente, morrer no mar. Precisamos dar oportunidades, dar dignidade", afirmou, dirigindo-se a líderes do conselho em Estrasburgo.
De acordo com Infantino, a questão "não é sobre querer ou não a Copa do Mundo a cada dois anos", mas sobre o que o esporte mais popular pode oferecer. "O futebol é sobre oportunidade, sobre esperança, sobre as seleções nacionais. Não podemos dizer ao resto do mundo: 'Dê-nos o seu dinheiro, mas nos veja na TV'. Precisamos incluí-los."
O cartola suíço está empenhado na ideia de reduzir o intervalo entre as edições do Mundial, tradicionalmente de quatro anos. De acordo com ele, a alteração geraria uma receita extra de US$ 4,4 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões), dinheiro que seria usado para diminuir a distância entre os mercados mais e menos desenvolvidos do esporte.
A ideia vem sendo bastante criticada, especialmente pelas principais confederações continentais. A Uefa, que rege o futebol europeu, e a Conmebol, que organiza a modalidade na América do Sul, já se posicionaram contra. Infantino agora busca apoio nas federações nacionais. Na estimativa da Fifa, 166 das 210 associações que integram a entidade estão de acordo com o plano.