Buracos e mais buracos. O asfalto de Bauru é pobre de qualidade, velho e a prefeitura informa não dispor de recursos financeiros e equipes suficientes para atender toda a demanda da cidade com rapidez. A buraqueira se alastra a cada chuva, inclusive registrando quebra de veículos e risco de acidentes. Basta percorrer mais de um minuto de automóvel para ter que ziguezaguear de uma abertura no asfalto. São incontáveis as reclamações dos munícipes que chegam diariamente ao JC. E a esperança da Secretaria de Obras é que a partir de fevereiro tenha êxito uma licitação que fracassou no ano passado.
A pasta espera a compra de 1.000 toneladas de massa asfáltica, juntamente com o serviço da aplicação dela nos buracos. O custo é algo em torno de R$ 2 milhões. Mas ainda assim é algo paliativo, devido à demanda, e atenderá a cidade entre 20 e 30 dias, no máximo. "É insuficiente", admite o secretário Leandro Joaquim, que tem apenas R$ 5 milhões em caixa especificamente para tapar buracos em 2022. Verba esta que é para aquisição de insumos da produção de massa asfáltica da usina pertencente a secretaria.
ESBURACADOS
No radar da Secretaria de Obras estão entre os mais esburacados os bairros Mary Dota, Redentor, Independência, Terra Branca, Jardim Europa, Jardim América, Parque São Geraldo e Jardim Solange. O JC recebe fotos de buracos todos os dias, via WhatsApp e messenger do Facebook. Em reportagem recente, o jornal mostrou que o asfalto de todo o bairro Santa Edwirges pede socorro há muitos meses.
DIÁRIO
Joaquim afirma que a pasta é a que possui o maior volume de demandas na cidade. Segundo ele, não tem como projetar a quantidade de buracos e tampouco um prazo para todos serem tapados. Ele acrescenta que a operação "tapa-buracos" é algo que acontece todos os dias em Bauru. Na última semana este trabalho foi feito em inúmeros endereços.
"O asfalto é muito velho, desgastado. Estamos enxugando gelo. O tapa-buraco é um processo repetitivo e há a questão da deficiência da drenagem. Precisamos do asfalto seco, mas a nossa usina de asfalto, que é bastante antiga, produz diariamente, de segunda a sábado, 60 toneladas de massa asfáltica por dia. Deste montante, cerca de 20 toneladas são direcionadas para o DAE tapar seus buracos também", explica o secretário.
FALTA EQUIPE
"Para cada buraco tapado, outros dois ou três surgem na cidade". Esta é a principal reclamação da maioria dos bauruenses, que tem a sensação de que o problema está longe de ter solução. Fato é que a Secretaria de Obras não possui equipes suficientes para atender a demanda, não há contabilidade de buracos existentes e o município não cogita abrir concursos públicos para suprir a perda de 60% das equipes cujos servidores foram se aposentando.
Leandro deixa claro que existe a maior boa vontade de atender toda a cidade. Outro problema, segundo ele, é a falta de equipe. Há cerca de oito anos, a secretaria contava com 10 grupos com quatro servidores cada na divisão de pavimentação e tapa-buracos. Hoje a pasta de Obras tem apenas quatro equipes, com quatro servidores cada. E ainda há mais alguns que estão para se aposentar. E está fora de cogitação a abertura de concursos públicos. "Temos pouca equipe e muita demanda reprimida", reforça.
No momento, três equipes com reeducandos, ligados à Secretaria Municipal de Administrações Regionais (Sear), estão reforçando a demanda de tapa-buracos da Secretaria de Obras.
E O DAE?
Conforme o jornal vem noticiando, o presidente da autarquia, Marcos Saraiva, firmou um compromisso no dia 14 de janeiro que iria zerar a demanda represada, desde o ano passado, de até 2,3 mil buracos específicos de obras da autarquia na cidade. O serviço será terceirizado. O DAE garante que o processo de licitação foi homologado na terça-feira (25) e a previsão para início dos trabalhos é 1 de fevereiro, próxima terça-feira.