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Demora de resultados de exames do novo coronavírus 'castiga' economia

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

A demora de até oito dias para divulgação dos resultados de exames RT-PCR de Covid-19 na rede pública em Bauru não tem só gerado angustia em pacientes, mas também "castigado" a economia. Não é pequena a quantidade de funcionários do comércio, serviços, indústria e demais setores afastados por dias, sem sequer saber se estão contaminados ou não com o novo coronavírus. Parte desse efetivo, caso a doença fosse negativada, poderia retornar antes ao trabalho se o diagnóstico fosse mais ágil. Para se ter uma ideia, alguns cumprem todo o isolamento e voltam ao serviço ainda sem o resultado em mãos. 

Entidades apontam que há um efeito em cadeia dos prejuízos provocados por essa realidade, que tem impactado especialmente os micro e pequenos empreendedores. Sem opções, muitos acabam até paralisando as atividades por conta do isolamento dos profissionais.

A Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e o Sindicato do Comércio Varejista de Bauru e Região (Sincomércio) cobram mais ações de testagem rápida da prefeitura.

LONGA ESPERA

Conforme o JC noticiou nesta quinta-feira (27), diante do avanço da Covid-19 neste início de ano, os exames PCR têm sido feitos em massa pelo município e o diagnóstico já demora até oito dias para ser informado aos pacientes.

Com a alta demanda, só o processamento das amostras tem levado um tempo médio de cinco dias. Além disso, os resultados do Adolfo Lutz (laboratório que processa a maior parte dos testes RT- PCR em Bauru) são divulgados pela Saúde municipal por meio de telefones que o paciente deve ligar. Contudo, o congestionamento das linhas também virou um entrave. Tanto que a prefeitura diz estar remanejando profissionais para a telefonia.

Diante da demora na divulgação dos resultados dos exames e para não prejudicar o controle da pandemia, os médicos do município passaram a emitir atestados com média de oito dias a todos com suspeita da doença, mesmo antes do diagnóstico.

PREJUDICIAL

Essa medida e a lentidão para cravar se o paciente está ou não com o novo coronavírus têm gerado uma onda de afastamentos no trabalho, o que o Sincomércio e a Acib apontam como algo muito prejudicial para a economia, que ainda segue em recuperação.

Segundo o Sincomércio, a recomendação atual feita às empresas do setor é de que afaste o profissional assim que detectar sintomas ou qualquer suspeita da Covid-19. "Não apenas quem tem sintomas deve ser afastado, mas também quem teve contato direto com alguém que está contaminado com o coronavírus. Essas pessoas devem agendar os testes e realizá-los. E o que as empresas têm feito é utilizar o bom senso para abonar esse período", afirma Walace Sampaio, presidente da entidade.

Ele ainda critica a falta de testes rápidos (com resultados em até uma hora) na rede municipal e aponta que o fortalecimento de ações de testagens rápidas é crucial ao momento, assim como a liberação dos autotestes no País (leia mais na página 16). "É muito tempo de espera e o funcionário pode nem estar com a doença. Para empresas em recuperação após os fechamentos que vivemos, isso é um grande impacto", considera.

A prefeitura alega que, nos últimos dias, distribuiu 5 mil testes rápidos nas 15 unidades de saúde que realizam testagens. E a previsão é de que mais 5 mil unidades cheguem na próxima semana.

MOROSIDADE

Economista e presidente da Acib, Reinaldo Cafeo diz que não há uma estatística em Bauru sobre os afastamentos, dada à dinâmica desse tipo de ocorrência. O impacto, contudo, está sendo bastante sentido, especialmente no setor de serviços.

"Essa morosidade causa transtorno nas organizações e também nos núcleos familiares. Uma pessoa que fica esperando o resultado acaba inibindo os demais parentes em relação às atividades até ter certeza. Do ponto de vista econômico, é um baque. Se os exames fossem mais rápidos, o ciclo de ausência dos profissionais seria encurtado", pontua Cafeo.

Segundo ele, as empresas já estão, inclusive, com problemas para cumprimento de prazos. "Especialmente as de menor porte e prestadores serviços, como o marceneiros, pedreiros e escritórios jurídicos. Sei também de empresa com 30 funcionários afastados. Alguns locais passaram adiar atividades presenciais e voltaram, em partes, para o home office. Na área de construção civil, o impacto deve ser até maior", finaliza.

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