Janeiro ainda não terminou e já se tornou o segundo mês com mais casos de Covid-19 desde o início da pandemia, há quase dois anos. Porém, apesar da explosão de registros, a letalidade da doença neste início de ano é cinco vezes menor do que a verificada no período mais dramático da pandemia, ocorrido ainda no primeiro semestre do ano passado.
O mês que levou mais vidas em razão da Covid-19 em Bauru foi abril de 2021, que contabilizou 176 mortes de um total de 5.204 casos, o correspondente a um óbito a cada 29,5 pessoas infectadas. Já em janeiro de 2022, até sexta-feira (28), 44 pessoas haviam perdido a batalha contra o novo coronavírus, de um universo de 7.149 moradores com diagnóstico positivo. A proporção equivale a um óbito a cada 162,5 casos.
Infectologistas ouvidos pelo Jornal da Cidade atribuem a queda da letalidade à menor agressividade da variante ômicron, na comparação com a cepa delta, e também à boa cobertura vacinal alcançada até agora na cidade. Porém, alertam que o número de mortes ainda preocupa: a quantidade de vítimas fatais mais que dobrou de uma semana para outra em Bauru, tendo avançado de 11 óbitos na semana entre 15 e 21 de janeiro para 28 mortes entre os dias 22 e 28 deste mês.
O médico infectologista Carlos Magno Fortaleza, professor da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, destaca, inclusive, que a Covid-19 foi a principal causa de mortes no Brasil nas últimas duas semanas e a segunda maior causa de óbitos entre crianças, atrás apenas dos acidentes de trânsito.
"A letalidade da ômicron tem se mostrado muito menor na comparação com as variantes anteriores. Porém, a população está tratando a Covid-19 como uma gripezinha, tendo uma falsa sensação de segurança, aglomerando, abrindo mão do uso de máscara, e o número de mortes voltou a aumentar. E vai continuar subindo, se a postura das pessoas não mudar", ressalta ele, que foi membro do Centro de Contingência do Coronavírus do governo do Estado.
'ESCAPE'
Médico infectologista que atua na linha de frente do combate à Covid-19 nas redes pública e privada de Bauru, Taylor Endrigo Toscano Olivo cita que a explosão de casos da doença em janeiro está associada à ômicron, que já representa mais de 90% das novas infecções no País. Trata-se de uma cepa extremamente adaptada, que produz carga viral muito maior do que a variante delta, resultando, portanto, em uma taxa de transmissibilidade mais elevada.
"Ela é três a quatro vezes mais transmissível que a delta. Isso, junto com o relaxamento que houve, com aglomerações, uso inadequado de máscaras, resultou no que estamos vendo hoje", analisa ele, em entrevista concedida na última semana ao programa Cidade 360º.
Ele pontua, ainda, que a ômicron tem mais de 50 mutações e, por isso, maior capacidade de 'escapar' da proteção gerada pelas vacinas e por infecções de Covid-19 prévias. Porém, muito em função da cobertura vacinal - que, em Bauru, é de quase 80% da população com duas doses -, o volume de internações e mortes não aumentou na mesma proporção de casos.
"A vacina diminuiu a gravidade dos casos ainda com a cepa delta e esta gravidade, entre os pacientes vacinados, não aumentou com a ômicron. As pessoas com duas doses têm mais de 90% de chance de evitar uma internação em UTI. Com a terceira dose, essa proteção aumenta mais ainda", observa Olivo.