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Que sociedade desejamos?

Lourdes Conde Feitosa
| Tempo de leitura: 2 min

O mundo já não é mais o mesmo desde março de 2020 e tampouco nós o so-mos. Desta vez sentimos as transformações na pele, na mente e no coração com uma intensidade dantes não experimentada. Vivenciamos o medo, o receio pela vida, o desalento por tantas partidas e a dor da separação. Sofremos com a difícil situação econômica de milhões de brasileiros/as, com as milhares de crianças alijadas da educação por falta de internet, equipamentos ou pela imperiosa necessidade do trabalho. Nos indignamos com a corrupção que nos assola e estarrece.

Hoje, estamos mais sensíveis ao valor do abraço, da partilha, do cuidado, do afeto e da urgência de uma sociedade mais igualitária. Sentimos a tristeza e o esmorecimento como companheiros neste tempo de incertezas, intolerância, falta de diálogo, negacionismos e ataques sistemáticos às Humanidades. Daí ser imprescindível nos reconectarmos com o nosso próprio eu e refletirmos quais valores e compromissos nos movem, como pessoa, como profissionais, como cidadãs e cidadãos.

Como disse Carl Sagan, a Terra é uma dentre tantas outras partículas de poeira suspensas em um raio de sol, mas é nosso lar. Somos nós! Se temos consciência da importância de nossa mãe Terra, não descuidemos dela. Se acreditamos no valor de uma coletividade mais ética e humana, que não ceda à supremacia do interesse pessoal, que sejamos comprometidos com o social.

Se somos crentes na relevância da diversidade deste povo chamado brasileiro, que não percamos o cuidado em manter viva as contribuições dos povos originários e afrodescendentes, seus saberes, crenças e memórias. Se acreditamos que o papel da educação é formar para a cidadania e a participação nos destinos de nosso país, não nos rendamos ao tecnicismo pedagógico e à mercantilização da educação, pois educação é muito mais que formar para o trabalho.

Enfim, que sejamos reflexo daquilo que realmente importa: uma consciência comprometida com o saber, com a ética, com a justiça e com o diálogo, por mais difícil que eles possam nos parecer.

A autora é doutora em História Cultural, professora do curso de História, editora da Revista Mimesis e coordenadora do Lato Sensu História, Cultura e Poder - Unisagrado.

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