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Jornada inesperada

FolhaPress
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Beatriz Haddad Maia está a um jogo de uma conquista inédita para ela e que o tênis feminino brasileiro não alcança desde 1968, com Maria Esther Bueno. Neste domingo (30), à 1h (de Brasília), a dupla formada pela brasileira com a cazaque Anna Danilina desafiará as principais favoritas da chave, as tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova, na decisão do Australian Open.

Siniakova, 25 anos, é a líder do ranking de duplas. Logo atrás vem Krejcikova, 26 anos, quarta colocada em simples e vencedora de Roland Garros no ano passado. A parceria entre elas já rendeu três títulos de Grand Slam e a medalha de ouro nos Jogos de Tóquio.

O currículo das rivais, entrosadas e vencedoras, dimensiona o tamanho do desafio que Bia e Danilina terão na final. Mas até aqui as desafiantes conseguiram se dar bem justamente contra as probabilidades. N

o fim de dezembro, Bia, 25 anos, viajou à Austrália confiante para o início da temporada. Estava embalada por um ano de recuperação no ranking em 2021, com a volta ao top 100 (sua melhor posição foi 58ª, em 2017) e a vitória mais expressiva da carreira, diante da então número 3 do mundo Karolina Pliskova.

A paulista voltaria a jogar a chave principal de um Grand Slam após dois anos e meio. Nesse período, ela ficou dez meses suspensa por um caso de doping --sua defesa conseguiu provar a tese de contaminação cruzada - e recomeçou praticamente do zero. A prioridade de Bia sempre foi o jogo de simples, em que ocupa a 83ª posição do ranking.

As duplas podem ser um bom complemento esportivo e financeiro, e ela já possui três títulos do circuito mundial nessa modalidade, mas era apenas a 150ª colocada antes do Australian Open.

Em Melbourne, a tenista parou na segunda rodada em simples, derrotada pela romena Simona Halep. Nas duplas, a ideia inicial era atuar ao lado de Nadia Podoroska. Com a lesão da argentina, porém, Bia precisou refazer os planos.

"Procurei uma parceria que tivesse um ranking parecido com ela, uma situação em que desse para entrar na lista. A Anna estava jogando um ITF [torneio de nível menor] na Tunísia e topou na hora. Aí perguntei se ela não queria vir antes, para jogarmos Sydney também, e nós fomos as últimas a entrar lá", contou.

As últimas se tornaram as primeiras no torneio WTA 500 de Sydney, com a conquista do título mais expressivo da carreira de ambas.

Danilina, 26 anos, nasceu na Rússia, mas representa o Cazaquistão desde 2011. Ela jogou tênis no circuito universitário dos EUA de 2015 a 2018, enquanto se graduava em economia. Seu melhor ranking de simples foi a 269ª posição, em 2020. Nas duplas, vem em ascensão desde o ano passado, quando entrou no top 100, e era a 53ª antes do Australian Open.

"Eu a conheço desde o juvenil, até perdi para ela na final da Copa Gerdau. Eu sei que a gente se completa muito em quadra", disse Bia. Em Sydney, o sucesso da parceria inesperada incluiu uma vitória sobre as favoritas japonesas Shuko Aoyama e Ena Shibahara.

Elas voltaram a se enfrentar nas semifinais do Australian Open, novamente com triunfo da brasileira e da cazaque sobre as cabeças de chave número 2. Foi a nona vitória consecutiva da dupla. Bia se tornou apenas a terceira atleta do país a chegar à decisão de um dos torneios do Grand Slam, os quatro mais importantes do esporte.

Quebrar esse período de 54 anos sem que uma brasileira seja campeã de um Slam também estará em jogo para Bia neste domingo.

O Australian Open é o "major" com menos conquistas para o Brasil. Além de Maria Esther, apenas Bruno Soares fez o país triunfar nas chaves profissionais do torneio, nas duplas masculinas e mistas, em 2016.

"Quando temos as coisas claras, elas acontecem cedo ou tarde. Não me surpreende o que está acontecendo, eu confio muito no meu tênis e acredito na minha equipe e na minha família, e isso é o suficiente para mim", disse a tenista.

A confiança que ela tem demonstrado não só nas declarações, mas principalmente dentro de quadra nas últimas partidas, é um bom sinal para quem entrará na decisão em busca de novamente surpreender as favoritas. E, quem sabe, fazer história.

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