Bauru - Um dos membros fundadores do PT e opositor histórico dos governos do PSDB no Estado de São Paulo nas últimas décadas, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT) hoje trabalha com o discurso de coalizão e defende a possibilidade de uma chapa Lula-Alckmin para as eleições presidenciais deste ano. Para o deputado, essa seria uma aliança necessária diante do atual contexto político. "Qual é a grande mensagem para a nação brasileira? Esse é um (possível) governo de união nacional. Não significa somos todos irmãos, que pensamos igual. Mas temos um programa mínimo comum: a defesa da democracia, o que não é algo menor no Brasil de hoje", explica Chinaglia.
Ele esteve no Café com Política do JC recentemente(14) acompanhado do advogado e empresário Luiz Henrique Mitsunaga, pré-candidato a Deputado Estadual pelo PT de Limeira, e também pelo presidente municipal do partido, Cláudio Lago, além de assessores. "Como deputado, é nosso papel fazer visitas regionais para prestar contas e também fazer contato com lideranças políticas locais", define.
Em dezembro passado, o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) deixou o PSDB depois de 33 anos e aproxima-se do PSB para ser possível candidato a vice de Lula. "A linha para derrotar o Bolsonaro não cabe só a esquerda, cabe muito mais gente. O Alckmin foi quatro vezes governador do Estado, a quem sempre fizemos oposição por discordância do seu governo, principalmente pelas pautas liberais e de privatizações. Porém, nunca o consideramos um adversário desleal, de maneira nenhuma", argumenta Chinaglia.
APROXIMAÇÃO
Em julho do ano passado, Chinaglia esteve em Bauru e região também para fazer um corpo a corpo e estreitar laços. Segundo ele, houve avanços nas relações com lideranças políticas e econômicas mesmo no interior do Estado. "Quando o Lula teve a sentença anulada pelo ministro Edson Fachin (STF), gerou uma nova percepção da realidade, especialmente no judiciário brasileiro. E o Lula sempre foi maior do que o PT. Então houve aproximações na política. Portanto, está muito mais fácil agora, mesmo no interior de São Paulo, nós sentimos isso. Nesse momento, o Lula é a expectativa de poder. Então mesmo quem não tem nenhum vínculo, vai pensar nisso. Isso bota as pessoas para refletir", analisa o deputado.
PAUTAS
Para outubro, Chinaglia, que já está no sétimo mandato consecutivo, deve tentar nova reeleição. Entre as pautas, defende melhorias na distribuição de renda e geração de emprego, mas também debater o perfil da dívida pública federal. "Como vamos corrigir um País que gasta quase R$ 2 trilhões pagando serviço da dívida? Nós temos hoje 30 vezes menos recursos para fazer investimento. E sem investimento não gera emprego. Temos que debater se vamos continuar com fome ou alongar o perfil da dívida. Se não tiver outra saída, eu defendo a segunda opção".